19 de ago de 2007

O vilão do cópia e cola na Internet

Hoje, no jornal "Gazeta de Alagoas", sairam dois artigos assinados por Felipe Farias e com os titulos seguintes: " Plágio vira pesadelo em universidades" e "Certeza de impunidade favorece prática".

Devo dizer que, na minha opinião, eles foram escritos com um tom meio fatalista. Embora não é dito assim, detrás das linhas podemos escutar o seguinte: "o que podemos fazer contra isso?"

Digo que são fatalistas, porque parece que nada pode ser feito, apenas ter o mecanismo de "controle" adequado: um programa de computador específico, proibir o texto impresso, etc., etc.

Eu fico muito bravo, cada vez que meus filhos trazem da escola um pedido de uma pesquisa sobre um tema X e sem maiores detalhes. Um pedido desses só convida para o cópia e cola e acredito que se ainda não sabem, logo logo os adolescentes aprendem como "resolver" o problema dessa "pesquisa vazia", além do mais, quando muitas vezes servem apenas para preencher uma nota.

Tenho a impressão que os professores não conhecem que com perguntas desafiadoras e com metodologias como webquests e "caças ao tesouro", além do básico seguimento personalizado do processo de pesquisa e desenvolvimento acadêmico do aluno" é que pode ser controlada essa tendência da cópia indiscriminada, e levar o aluno para níveis mais profundos do conhecimento.

No final, embora algumas pessoas não acreditem nisto que vou dizer, é muito reconfortante quando uma pesquisa nos leva a novas descobertas, ou quando a partir de um desafio inicial e navegando pela Internet, aprendemos outras coisas que não estavam previstas inicialmente. É só saber incentivar adequadamente, saber reconhecer os logros e saber estimular a necessidade de processar devidamente a informação; saber parafrasear e citar os autores, quando necessário, etc. Para isso o professor tem que estar preparado e não só para controlar e dar o visto bom para o trabalho produzido pelo aluno.

Bom, depois de tudo isso, aqui estão os dois artigos citados. Julgue você mesmo:



PLÁGIO VIRA PESADELO EM UNIVERSIDADES

por Felipe Farias. Gazeta de Alagoas (Cidades D5), 19 de agosto de 2007.

Considerado um caminho fácil e com as vantagens de acesso a textos diversos, trabalhos copiados da internet impõem mudanças em faculdades.

O caminho é fácil porque requer apenas cinco teclas para executar os comandos: uma dassetas + shift (maiúsculas) para selecionar o texto e mais três (ctrl + C; ctrl + V) para copiá-lo e colá-lo. E, ironicamente, o resultado é o exemplo mais acabado da "lei do menor esforço". O problema éque pode tratar-se de um crime, previsto em lei federal: plágio.

Com as vantagens de acesso a textos diversos, dos mais variados campos do conhecimento,possibilitadas pela internet, copiar uma idéia e fazê-la passar por sua usando para isso arede mundial de computadores virou pesadelo para professores e chegou a mudar práticas pararecebimento de trabalhos em diversas instituições de ensino superior.

"Eu me sinto regredindo à 'idade da pedra', mas, infelizmente, tornou-se uma prática necessáriaporque o aluno não quer pensar", ironiza o coordenador do curso de Ciências da Computação daFaculdade Alagoana de Administração (FAA), Valdick Sales, ao informar que passou a exigirtrabalhos manuscritos de seus alunos, como uma das alternativas para fazer frente ao problema.

"Em 2005, a Universidade Federal do Rio de Janeiro também estipulou como exigência para entrega de trabalhos que eles viessem manuscritos. Não é a solução, mas, pelo menos faz o aluno pensar", endossa o professor doutor Nelso Rodrigues Abreu, titular da disciplina Gestão de Recursos Humanos da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade Federal de Alagoas (Ufal).

Foi dele a sugestão para que a instituição adotasse um programa para "farejar", entre ostrabalhos dos alunos, cópias de textos que circulam pela internet, o qual tomou conhecimento numa universidade de Minas Gerais, que já tinha recorrido ao programa para enfrentar o problema.

A sugestão levou a uma exigência paradoxal - igualmente motivada pela tentativa de combater o plágio: a de que os trabalhos sejam entregues apenas em meio eletrônico, como disquete, parapossibilitar a aplicação das ferramentas de varredura do programa.
A adoção de um programa exclusivo para combater plágio mostra a preocupação do segmento docente com a extensão do problema.

De tão disseminado até já recebeu o apelido familiar das teclas de atalho com que se executa asfunções de copiar um texto de qualquer ponto e colá-lo onde quer que se queira - hoje o pesadelo de coordenadores de cursos superiores, diretores de faculdades, mas, sobretudo, de professoresque orientam trabalhos de conclusão de curso -, responde pelo nome de "control C control V".

CERTEZA DE IMPUNIDADE FAVORECE PRÁTICA

No Ensino Médo, preocupação dos professores aumentou quando identificaram alunos com o mesmo tipo de trabalhos e erros.

por Felipe Farias, Gazeta de Alagoas (Cidades D7), 19 de agosto de 2007.

No ano passado, a Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Ufal detectou cinco casos de alunos que recorreram à prática do plágio para se formar. O episódio foi administrado com sigilo: os plageadores foram reprovados à época, mas três estão para se formar. "Decidimostomar uma posição mais educativa", justifica o então diretor, Anderson de Barros Dantas,daíporque eles tiveram uma nova oportunidade.

Há cerca de dois anos, houve episódio semelhante no curso de Comunicação Social do Centro deEstudos Superiores de Maceió (Cesmac) - também tratado com sigilo. "E uma postura individual, mas o aluno que recorre a isso tem de ter noção que mais cedo ou mais tarde aquele trabalho que ele assinou como seu será flagrado, porque a facilidade de acesso que ele teve as outras pessoas também têm", disse a professora Cristina Britto, coordenadora do curso de Comunicação Social do Cesmac.

De acordo com os responsáveis, a atitude não chega a se configurar numa "praga" - a incidêncianão passaria de 5%. Mas, se a missão da instituição é educar, deve ser combatida.
"O professor deve acompanhar o aluno desde o começo do curso; o que aumenta sua responsabilidade.

Ele tem de fazer ver ao aluno que ele está ali para aprender, não para tirar nota; a nota é umaconsequência", diz Nelsio Rodrigues, da faculdade de Economia da Ufal.

A responsabilidade e a apreensão recaem sobre a figura do orientador do trabalho de conclusão de curso (TCC). É ele que acompanha o aluno desde a escolha do tema sobre o qual quer desenvolver até o momento em que apresenta seu TCC para a banca examinadora.

Para Nelsio, um problema como esse com um aluno envolve o orientador, já que coube a eleacompanhar todas as fases da elaboração do TCC. "É o nome dele que vai constar lá"."A responsabilidade cabe ao orientador, mas, muitas vezes, sem recursos tecnológicos, ele não tem como fazer frente a isso. Além do mais, há casos de professores com sete a dez alunos comtrabalhos de conclusão de curso para apresentar e que geralmente, só escolhem o orientador nos três últimos meses do curso", explica Anderson de Barros Dantas.

Segundo ele, parte do problema se dá pela certeza da impunidade: o aluno saber que não será pego.

Para os educadores, além de possibilitar acesso a uma infinidade de informações, a Internet também dá origem à "preguiça de pensar".

Mas, é no ensino médio que a busca pelo "caminho mais fácil" adquire contornos mais flagrantes.Eles não têm nem o trabalho de diagramar", diz o coordenador do ensino médio do Colégio Inei, Luiz António Corrêa.

Segundo ele, a preocupação aumentou quando os professores identificaram alunos com o mesmo tipo de trabalho e de erros. "Quando se passa algum texto da internet para a impressão, às vezes o gráfico fica fora das margens, os textos saem incompletos", relata.

Para ele, o problema está na má utilização dos recursos benéficos da Internet, uma biblioteca mais completa que as demais. "Se ele fizesse o trabalho e estivesse aprendendo, seria positivo. Em vez de levar horas para aprender com os métodos convencionais de produzir os trabalhos,ele faz o trabalho em quinze minutos e não aprende nada. Para isso, internet não é interessante".

Por isso, a escola mudou sua metodologia: em vez de trabalhos trazidos prontos de casa, pesquisa sobre temas específicos debatidos em sala de aula e, sobretudo, ènfase na redação, para inventivá-lo a desenvolver a habilidade de se expressar, mesmo em temas de outras disciplinas.

6 comentários:

Ana Tercília ( pedagogia à distância) disse...

Trabalho numa Faculdade do nosso Estado e o pessoal faz as colas na "cara de pau", os professores sempre comentam, pois recebem vários trabalhos iguais, tirados do mesmo site, muitos trazem até estruturas,bordas nos textos, a formatação da página e tudo mais... Isso para mim é falta de Criatividade por parte dos professores, essas pesquisas precisam ter outra denotação, outra estrutura, e na maioria das vezes é fácil perceber que é um plágio, principalmente se você conhece o aluno no dia a dia.

Amair Cavalcante-Pedagogia a Distância disse...

Acho que o problema da "cola", reside na falta de estruturação do corpo docente que não especifica o teor e não incentiva o espírito investigativo dos alunos. Pesquisas sem propósito, análise figuram no dia-a-dia desses alunos que não veêm alternativa a não ser copiar meramente um texto, pois o mesmo às vezez nem é observado pelo educador.

Luiz Gustavo disse...

Primeiramente, gostaria de salientar o quão fundamental é a discussão acerca do plágio acadêmico e da busca do conhecimento verdadeiro propiciado pela educação salutar.
Pode parecer anacrônico para quem não conhece a natureza de meu trabalho, mas tenho uma empresa de monografias que muito se distancia da equipe pronta para ensinar o aluno a plagiar e a falsificar seu trabalho nas instituições de ensino.
Pelo contrário, a fundamentalidade da minha equipe é propiciar uma pesquisa embasadora, um modelo ideal de conteúdo de pesquisa para que o aluno tenha um norte para a realização de sua própria monografia.
De início, gostaria de salientar que qualquer orçamento ou contato que nos chega com o sentido de publicação de nosso material já é sumariamente descartado, da mesma forma que, se durante o andamento da pesquisa monográfica nós detectamos que nosso cliente visa se servir de má-fé com nosso material perante sua instituição nós automaticamente cortamos todos os vínculos com o mesmo, sendo que já chegamos, em casos de renitência, a enviar o material entregue ao cliente à instituição do mesmo, obviamente sem identificar o aluno por questões jurídicas e ligadas aos direitos do consumidor, mas alertando para que ele não se beneficie fora dos limites legais de utilização do nosso material monográfico, que é sempre protegido, já que nunca liberamos os direitos para nenhum cliente, assim, salientamos desde o início que todo material é protegido pela Lei. 9610/98 e não toleramos nenhuma disposição contrária e serve somente como base fundamentadora para a realização de seus trabalhos.
Da mesma forma, investimos em um programa de travamento de trabalhos, de modo que não há a possibilidade de o aluno levar trechos de prévias para sua instituição.
Assim, com uma monografia focada em seu tema, o aluno tem não somente uma excelente lista de bibliografias mais adequadas e atualizadas, e que por si só esta relação já poupa inúmeros contratempos ao aluno, ele tem também um modelo de construção de idéias, conceitos, análises, que certamente, dentro da utilização correta, acrescentarão muito para sua própria capacidade de entendimento e de escrita e compreensão de sua própria monografia. Outro detalhe, que é capaz de poupar muito tempo para o estudante, é a formatação utilizada, que pode ser encomendada
Nós notamos que há uma enorme carência por parte dos alunos sobre a metodologia da pesquisa de um TCC ou uma monografia, sendo que os mesmos nem conseguem destacar quais seriam os pontos mais importantes de seu tema. Não conseguem diagramar sua bibliografia no sentido de usufruir da mesma da melhor forma. Não estão capacitados para a linguagem acadêmica, nem para o sistema de citações e de formatação.
Não recebem o apoio de seus orientadores, ainda mais com a massificação do ensino privado (e mesmo público em alguns casos), onde a figura do orientador como assessor exclusivo de alguns poucos alunos por semestre está em extinção, sendo substituído por um professor de metodologia que deverá (tentar) orientar mais de 50 monografias por semestre.
O desinteresse dos professores na orientação de seus alunos é, infelizmente, flagrante, já que é extremamente simples detectar o plágio acadêmico.
Já nos demos conta sobre, e ainda estamos estudando quais as melhores formas de proteger nossos materiais e os interesses das instituições de ensino, assim como da própria formação do aluno, a ampliação do fenômeno da educação à distância, onde o contato com o orientador é quase nulo e onde o risco do plágio acadêmico é ainda maior.
Amo pesquisar e escrever, na verdade, gosto muito do meu trabalho, tanto que, nestes anos, busco o aprimoramento de modelos de trabalho que se coadunem com a formação verdadeira dos alunos, sem nunca correr o risco de ser um intermediário para o plágio.
Acredite, perdemos muito dinheiro por tentarmos trabalhar com seriedade e dentro dos limites legais e impostos, acima de tudo, por nossa consciência, já que optamos pela insuperável sensação proporcionada pelo sono tranqüilo à conta bancária recheada que teríamos se buscássemos agir contra nossos princípios e contra a formação verdadeira dos alunos e clientes que nos procuram.
Mesmo com toda a preocupação em agirmos de maneira correta alguns poucos alunos se sentem indignados por não poderem agir contra a lei e contra suas instituições a partir de nossos materiais, e estes são justamente o único ponto negativo da minha prática diária, já que, nestes casos, chego mesmo a me alterar psicologicamente no sentido de barrar este cliente, que graças a Deus, é uma minoria. Justamente pelo fato de que a grande maioria de nossos clientes entende e agradece os limites impostos, sabemos que o que dá sentido ao nosso trabalho é justamente a desinformação e a falta de acesso dos alunos a orientadores capazes e interessados.

marcelo disse...

marcelo pedagogia presencial

vejo realmente que este problema é realmente muito sério. A internet infelizmente tornou as pessoas mentalmente preguiçosas.tudo hoje em dia é culpa pela falta de tempo, ninguem tem tempo para pensar? os professores e sistema de ensino tambem tem sua parcela de culpa, pois defendem uma educação de quantidade e não qualidade, acabam muitas vezes por nem mesmo avaliar direito os trabalhos incentivando assim a tal da "cola". sugestão diminuam a quantidade exigam a qualidade, profundidade, que o aluno faça um trabalho apenas mas que faça bem feito.

Thais Andrade disse...

A responsabilidade não é somente do docente, mas também a do aluno (universitário)que é "crescidinho" o bastante para fazer "caca". Há, contudo, professores que não avaliam o trabalho do aluno, sequer o lêem.
Conheço um caso, por exemplo, no qual a faculdade dispõe do Recurso Chamado "Farejador", mas utiliza quando desconfia do aluno, sendo que, o certo seria utilizá-lo em todos os trabalhos sem distinção, e aplicar aos que tem plágio a punição devida, isto é, a reprovação na matéria, porquanto, na faculdade não há crianças indecisas sobre o ilícito e lícito, mas pressupõe que nela há adultos, que devem ser responsabilizados pela prática inadequada "ao seu grau de educação".

Gonzalo Abio disse...

Gosto muito dest etxto sobre esse asunto tão importante. http://professordigital.wordpress.com/2010/01/31/pesquisa-escolar-na-internet-ctrlc-ctrlv-versus-copia-manuscrita/