27 de ago de 2012

Quantas horas são necessárias para preparar um curso virtual?

Nos comentários finais de um trabalho apresentado em 2008 fiz um cálculo empírico de que um professor-autor (conteudista) de um curso universitário feito no padrão da UAB (Universidade Aberta do Brasil) precisaria de não menos de seis horas de trabalho por cada hora de aula colocada no Moodle. Naquele momento eu estava pensando apenas como um professor-autor polivalente que seria responsável por práticamente quase todo o processo de criação de conteúdos para um curso on-line ainda com  predomínio de material textual. Isso não era novidade, mas fiz o comentário motivado principalmente pelo desconhecimento e pela percepção de alguns colegas de que preparar um curso a distância seria simplesmente convertir em pdf os materiais e apostilas que já utilizavam nos cursos presenciais.   

Em um curso na minha universidade ministrado neste ano para docentes que atuarão na EaD houve a percepção, motivada também de forma empírica pelas dificuldades aparecidas na realização das tarefas que simulavam uma prática real de criação de um curso, que o número de horas seria muito maior que aquela cifra pensada em 2008.

Hoje, via XarxaTIC, soube de que, segundo LeanForward, para preparar cada hora de aula de um curso de qualidade interativo seriam necessárias nada menos que duzentas horas de trabalho, as quais que estariam repartidas entre o gerente de projetos (10-12h), o designer instrucional (60-80h), o designer multimídia (20-40h), o desenvolvedor do curso (60-80h) e o responsável por cuidar da qualidade do produto final (10-20h).

Nesse momento lembrei do conceito de polidocência na EaD, que MILL (2002) define como o trabalho de forma coletiva e cooperativa de toda uma equipe de profissionais necessário para realizar as atividades de ensino-aprendizagem na educação a distância.

Tenho constatado que em algumas instituições existem equipes completas trabalhando de forma articulada para fornecer cursos de qualidade, mas por outro lado, também tenho constatado que não é assim em todos os lugares. Como comentava o autor de XarxaTIC, se partimos de um planejamento e implementação de pouca qualidade, como conseguiremos que o e-learning seja igual de válido que o ensino presencial, para atrair tanto os alunos quanto muitos professores que não acreditam ainda que aulas possam ser dadas ou continuadas com qualidade fora das paredes físicas das salas de aula do campus?  

Este foi o infográfico produzido pela Leanforward:
What Does It Take To Create Effective e-Learning - Infographic


Considero que todos os participantes na elaboração do curso são importantes, pois quanto mais material multimídia e interativo tiver o curso (e sem falhas), poderá ser menor a percepção da distância transacional entre alunos e professores, mas  também é muito importante a dedicação e o tempo dispensado pelo docente e tutores na hora de colocar em prática o curso e interagir com os alunos. Na prática, esse momento do curso é fundamental. Deve-se ter em consideração que com o surgimento e proliferação na atualidade dos cursos MOOCs (Massive Open Online Courses ou Cursos Online Abertos Massivos) deve haver um esforço adicional, tanto na atenção na preparação dos cursos quanto para seu fornecimento e colocação em prática, agora para miles de estudantes. Por isso, todas estas questões cobram uma importância ainda maior que a que já tinham até agora.

Para finalizar e voltando para o assunto inicial, aproveito para recomendar a leitura do livro "Polidocência na Educação a Distância Múltiplos Enfoques" organizado por Daniel MILL; Luis Roberto de Camargo RIBEIRO e Marica Rozenfeld Gomes de OLIVEIRA (Edufscar, 2010), mas também podem ver, por enquanto, este artigo com participação do primeiro desses autores. MILL, Daniel; FIDALGO, Fernando. Sobre tutoria virtual na educação a distância: caracterizando o teletrabalho docente. Virtual Educa Brasil, 2007.


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