8 de dez de 2010

Alagoas e os resultados obtidos no último teste do PISA


Duas notícias para refletir sobre o que acontece na escala local.

Vale para todos: professores e alunos, mas acho que principalmente para as nossas autoridades políticas, educacionais e especialistas.

I
Alagoas tem o pior desempenho nacional no Programa Internacional de Avaliação de Alunos


II
Pisa 2009: até estado com melhor desempenho no país fica abaixo da média mundial


O quê está acontecendo? Por acaso recebemos menos investimentos que outros estados?

Qual pode ser a solução?

Considero que a primeira coisa que deveria ser feita é convocar uma reunião multisetorial e analisar com seriedade cada um dos aspectos possíveis que levaram a estes resultados. Em paralelo, pensar em propostas de ação e metas a cumprir e..... fazer valer as metas propostas.

Investimentos sempre são necessários, mas é possível fazer também muitas coisas com boa vontade, exigência, ajuda técnica e metodológica e cada um cumprindo como deve ser com suas funções. 

12 de nov de 2010

Aprender a ler causa profundas mudanças mentais

Pela importância que tem para os professores, reproduzo aqui um artigo de jornal publicado hoje no Correio Braziliense.

Aprender a ler causa profundas mudanças mentais
Processo de alfabetização faz com que regiões cerebrais destinadas a outras funções, como a fala e a visão, sejam recicladas

Aprender a ler transforma realidades, insere o indivíduo na sociedade, muda a forma como ele se relaciona com o ambiente. Isso, os pedagogos já sabiam. Mas a leitura é responsável por alterações muito mais profundas: literalmente, ela modifica o cérebro. Uma pesquisa com participação brasileira, incluindo o Distrito Federal, publicada na edição on-line de ontem da revista especializada Science mediu o impacto da alfabetização na mente. Os cientistas constataram que ele é bem maior do que o imaginado. As áreas cerebrais ativadas pelas letras não se restringem à região relacionada à linguagem codificada, mas envolve diversas outras, como os setores da fala e da visão.

Como a escrita é uma atividade recente, comparando-se à idade do homem, o cérebro não tem uma região inata relacionada à leitura. “Temos que fazer uma colagem, utilizar sistemas que já existem”, declarou à agência de notícias AFP Laurent Cohen, do Instituto Nacional de Saúde e Pesquisa Médica da França (Inserm) e um dos coordenadores do estudo. “Ainda não houve tempo para o órgão formar essa estrutura. Então, o cérebro recicla estruturas antigas para atender às novas demandas culturais”, detalhou, em uma teleconferência para a imprensa brasileira, Lucia Braga, diretora de pesquisas do Centro Internacional de Neurociências da Rede Sarah, onde foi realizada a parte brasileira do estudo.

Quarenta e um voluntários do Entorno do Distrito Federal, incluindo alfabetizados na infância, analfabetos e alfabetizados na idade adulta com diferentes níveis de escolarização, se submeteram a ressonâncias magnéticas funcionais, enquanto tinham seus cérebros mapeados. Durante o exame, que permite visualizar a ativação da atividade cerebral, os participantes recebiam estímulos diversos, como frases e palavras escritas e faladas, imagens de objetos e rostos, e caracteres sem significado semântico. Os cientistas, então, puderam observar a resposta do cérebro de cada grupo de voluntários.

“O resultado é que aprender a ler transforma violentamente as redes neuronais da visão e da linguagem”, diz Lucia. “Quando as pessoas foram expostas às frases escritas, houve um aumento da ativação cerebral na área das palavras.” Entre os analfabetos, não foi constatada a ativação. E, quanto maior a escolaridade, maior a atividade dos neurônios.

“O principal achado da pesquisa, o que nos surpreendeu, foi que os efeitos da leitura no córtex são visíveis tanto nas pessoas alfabetizadas na infância quanto na idade adulta. Então, mesmo quem passou anos da vida sem oportunidade de aprender a ler, quando consegue chegar à escola, tem suas redes cerebrais acionadas exatamente da forma verificada em pessoas alfabetizadas na infância”, explica a neuropesquisadora. “O que vai diferenciar é o nível de escolarização. Quem estudou mais tem maior ativação, mas isso depende menos do fato de a pessoa ter aprendido a ler na infância.”

De acordo com a especialista, o resultado significa que os circuitos da leitura permanecem plásticos durante a vida toda. “Esses resultados demonstram o impacto maciço da educação sobre o cérebro humano. É importante ressaltar que a maioria esmagadora das pesquisas com ressonância magnética funcional cerebral é realizada com cérebro educado, e que a organização cerebral, na ausência de educação, constitui um imenso território amplamente inexplorado”, alerta.

Políticas públicas
Para a médica, que também é presidente e diretora executiva da Rede Sarah, esse resultado tem implicações evidentes para o Brasil. “Se considerarmos que o letramento melhora as respostas do cérebro e redefine a organização cerebral, e que o país tem 14 milhões de analfabetos, é importante pensar como poderíamos mudar essa realidade”, afirma. De acordo com Lucia, conexões mais ágeis levam a uma capacidade maior de funcionamento cerebral. “Essas pessoas podem usar mais seu cérebro e isso terá um grande impacto na vida cotidiana. O estudo poderia ajudar na construção de políticas públicas para alfabetização de adultos”, acredita.

Ainda não se sabe se o fato de o cérebro reciclar estruturas antigas para atender às novas demandas pode ter algum impacto negativo para a mente. “O córtex visual reorganiza-se por meio da competição entre a atividade nova de leitura e as atividades mais antigas de reconhecimento de faces e de objetos. Durante a alfabetização, a resposta às faces diminui levemente à medida que a competência de leitura aumenta na área visual do hemisfério esquerdo, utilizada para reconhecer faces e objetos nos analfabetos”, explica a pesquisadora. “Com isso, observamos que a ativação às faces desloca-se parcialmente para o hemisfério direito. Não se sabe, hoje, se essa competição tem consequências funcionais para o reconhecimento ou a memória de faces.”

5 mil anos
Enquanto o homem moderno tem cerca de 50 mil anos, a escrita começou a se desenvolver há apenas 5 mil anos, em diversas regiões independentes, como a China e a Mesopotâmia (hoje, o Iraque). Os pesquisadores acreditam que as formas mais antigas da escrita são a cuneiforme e os hieróglifos.

autora: Paloma Oliveto
fonte: Correio Braziliense, Ciência e Saúde.
Data: 12/11/2010
URL: http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/ciencia-e-saude/2010/11/12/interna_ciencia_saude,222845/aprender-a-ler-causa-profundas-mudancas-mentais.shtml

24 de jun de 2010

Tragédia em municípios alagoanos

Esta primeira foto é de São José da Laje, uma pequena cidade do interior de Alagoas, próxima à divisa com o estado de Pernambuco, no caminho para Garanhuns. A tomei na minha primeira visita no local, quando tive a oportunidade de participar em um curso no pólo de educação a distância que a UFAL e a prefeitura mantém na cidade. Por esse motivo precisei visitar o local várias vezes e sempre para mim foi uma satisfação ter essa oportunidade de compartilhar com pessoas maravilhosas e ávidas de saber.

No sábado passado, 19 de junho, não pude acreditar nas notícias e imagens que começaram a ser divulgadas sobre as violentas inundações nessa cidade e outras da região (Branquinha e União dos Palmares), nas quais também conhecemos muitos professores que participam em nossos cursos.

A vida tranquila desses locais se transformou em terror em questão de poucas horas como pode ser visto nesta galeria de imagens e vídeo.

Sabendo disso, no domingo, minha esposa e eu entramos em contacto com algumas pessoas que apareceram nos primeiros telefones divulgados para receber ajuda e fizemos nossa parte doando quatro colchões e um triliche, assim como roupas de cama, cobertores e outras roupas que tínhamos na casa.

Tive vontade, mas finalmente não tentei levar pessoalmente as doações para o local porque havia notícias de que a estrada estava tomada pelas águas em um trecho. Considero que essa pequena, mas imediata ajuda, seria muito bem-vinda pelas pessoas que perderam tudo.

Além disso, observo com alegria como o povo de Maceió se mobilizou e em todas partes existem agora postos de arrecadação de doações para as vítimas dessas enchentes, além da ajuda federal e de outras regiões, que aos poucos está chegando e se efetivando nas áreas atingidas.

Considero que ajudar nestes casos é também sinónimo de educação.

Estamos ansiosos por ter outras notícias (melhores se possível) - já tivemos quando o número final de desaparecidos diminuiu consideravelmente-,  mas também gostaria muito que num futuro não muito distante consigamos retornar para as aulas com tranquilidade, pois os estudos e o desenvolvimento humano na região também são necessários.


28 de mai de 2010

Festival Literatura em vídeo


O 1° Festival Literatura em vídeo é uma boa idéia que pode estimular a leitura e a criatividade dos alunos.

Abril Educação, junto com as editoras Ática e Scipione e o apoio da MTV, abriram este concurso em que grupos de alunos devem criar um vídeo de até cinco minutos representando alguma obra de fição das comercializadas por essas editoras. 

Até o dia 15 de outubro podem ser inscritos e enviados os vídeos dos alunos; dessa forma, ainda há um bom tempo para criar os vídeos e participar no concurso.

Os níveis de Ensino Fundamental II e Ensino Médio, concorrem como categorias separadas e os grupos finalistas e os ganhadores finais de cada categoria receberão prêmios.

Veja as informações no próprio site do festival. http://www.literaturaemvideo.com.br/calendario.aspx

Boa sorte!

18 de mai de 2010

Governo federal compra 88% da produção de obras escolares


A produção de obras didáticas para o Programa Nacional do Livro Didático (PNLD), do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), representou, em 2009, 88% do movimento do mercado editorial brasileiro nesse setor.

O levantamento foi feito pela autarquia com base em dados da Associação Brasileira de Editores de Livros Escolares (Abrelivros), e leva em conta os 115 milhões de obras distribuídas a 36,6 milhões de estudantes da educação básica pública, além de 3 milhões de títulos voltados à alfabetização de jovens e adultos. No mesmo período, o mercado privado adquiriu 15 milhões de exemplares.

“Os números mostram a importância do PNLD no contexto educacional do país”, afirma Rafael Torino, diretor de ações educacionais do FNDE.

Escolha – Base da escolha dos livros didáticos que serão usados no próximo ano pelos estudantes da rede oficial de ensino em todo o país, o Guia do PNLD 2011 já está disponível no portal do FNDE na Internet. A partir do guia, que traz um resumo das obras avaliadas e selecionadas pela Secretaria de Educação Básica (SEB) do Ministério da Educação, professores e diretores de escolas públicas podem discutir seus conteúdos e verificar quais são mais adequadas para o trabalho em suas salas de aula.

A escolha dos livros ocorrerá de 21 de junho a 4 de julho e envolverá as disciplinas de português, matemática, história, geografia, ciências e língua estrangeira (inglês e espanhol), do sexto ao nono ano do ensino fundamental.

Torino lembra, no entanto, que somente as redes de ensino público que oficializarem sua participação no PNLD por meio de termo de adesão poderão escolher e receber livros para o próximo ano. O prazo final para a adesão é 31 de maio.

O FNDE encaminhou o termo de adesão, pelo correio, a todos os gestores do país. O documento deve ser assinado pelo prefeito municipal, pelo secretário de educação do estado ou pelo diretor da escola federal e, em seguida, devolvido ao Fundo até o fim deste mês.

Fonte: Assessoria de Comunicação Social do FNDE, 17 de maio de 2010.
URL: http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=15438:governo-federal-compra-88-da-producao-de-obras-escolares&catid=222&Itemid=86

3 de abr de 2010

Material não passa por avaliação do ministério

Associação diz ter pedido ao MEC que avalie apostilas, mas ainda não houve resposta

Defensores do sistema afirmam que método poupa parte do trabalho pedagógico e facilita acompanhamento dos pais


Os tradicionais livros didáticos perdem cada vez mais espaço para as apostilas elaboradas por redes de ensino privado. Levantamento feito pela Folha mostra que ao menos um terço dos colégios particulares já adota esse sistema de ensino em substituição ou complemento dos livros.

Dos 18 grupos identificados, apenas três -Etapa, Expoente e Ser- não quiseram divulgar seus números. Com as informações dos 15 demais sistemas, foi possível calcular que ao menos 7.000 escolas (33% do total de 21 mil instituições particulares de ensino fundamental e médio do país) trabalham com as apostilas.

Ao entregar para o professor um material estruturado e com planos de aula a serem seguidos, poupa-se parte do trabalho de coordenação pedagógica. Fica também mais fácil para pais e alunos acompanharem se o conteúdo previsto está, de fato, sendo transmitido.

Especialista afirmam, porém, que o sistema pode tirar a autonomia do professor e, em alguns casos, dar pouca margem para trabalhar conteúdos regionais em escolas fora do Sul e Sudeste, onde se concentram os grupos educacionais responsáveis pelas apostilas.

Outro aspecto negativo é que, ao contrário dos livros didáticos, as apostilas elaboradas pelos grupos não são avaliadas pelo Ministério da Educação.

A Abrase (Associação Brasileira de Sistemas de Ensino) já propôs ao ministério que faça uma avaliação oficial, mas, afirma a entidade, ainda não houve resposta do MEC.

Origem

Os sistemas surgiram a partir de cursos pré-vestibulares de São Paulo e Paraná na década de 70, mas foi nos anos 90 que cresceram aceleradamente.

Hoje já são vendidas apostiladas para todas as etapas da educação básica. Por ano, o custo varia entre R$ 100 -em séries iniciais do ensino fundamental e educação infantil- e R$ 1.000 -caso das apostilas voltadas a pré-vestibulares.

Executivos desses grupos ouvidos pela Folha se dividem em relação ao potencial de crescimento. Há quem ache que, no setor privado, chegou-se perto do teto. Mas também quem aposte que ainda há muito a expandir.

Estimativas de faturamento do setor variam de R$ 500 milhões a R$ 1 bilhão por ano.

Com o crescimento acelerado dos sistemas, empresas que lucravam com venda de livros didáticos, como as editoras Moderna, FTD, Ática/Scipione e a livraria Saraiva, tiveram de entrar no setor.

José Arnaldo Favaretto, diretor de sistemas de ensino da Saraiva, afirma também que os livros didáticos tiveram que se adaptar aos sistemas, incorporando alguns serviços.

"Hoje, muitas editoras agregam ao livro preparação de planos de aula e orientação ao professor, que são oferecidos pelos sistemas de ensino", diz ele.

Além de apoio pedagógico, os sistemas atraem também escolas em busca de reforço de marketing, associando-se a uma marca mais forte.



autor: Antônio Gois, da sucursal do Rio Folha de São Paulo. caderno Cotidiano, 03/04/2010
Tomado de Linear Clipping.
URL: http://www.linearclipping.com.br/cnte/detalhe_noticia.asp?cd_sistema=93&codnot=1096981