29 de dez de 2012

Educação: revolução pela inércia?


O novo Plano Nacional de Educação, em debate no Congresso, foi recebido com muitas críticas, que tratam da alegada inutilidade da expansão de gastos prevista. O artigo publicado na revista Ciência Hoje (edição 299, dezembro de 2012) contesta essas críticas  e defende políticas de investimento na qualidade do ensino brasileiro. Para os autores, as deficiências educacionais exigem ação imediata, o que depende da destinação de mais recursos para a educação no Brasil.

http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/2012/299/pdf_aberto/educacao299.pdf/at_download/file

29 de ago de 2012

Facebook, o Diário de Classe e Isadora Faber. Canal de comunicação ou perigo?

As redes sociais servem para movilizar pessoas para muitas causas. Neste caso quero compartilhar com vocês uma notícia aparecida na seção de educação do Estadão e vejam como a  jovem Isadora Faber utiliza o Facebook para registrar o que acontece na sua escola, em uma versão de diário ou jornal escolar, mas com uma abrangência e poder de movilização muito maior.



 O tema pode até ser polémico, mas quantos jovens como Isadora não deve ou deveria haver por aí?

27 de ago de 2012

Quantas horas são necessárias para preparar um curso virtual?

Nos comentários finais de um trabalho apresentado em 2008 fiz um cálculo empírico de que um professor-autor (conteudista) de um curso universitário feito no padrão da UAB (Universidade Aberta do Brasil) precisaria de não menos de seis horas de trabalho por cada hora de aula colocada no Moodle. Naquele momento eu estava pensando apenas como um professor-autor polivalente que seria responsável por práticamente quase todo o processo de criação de conteúdos para um curso on-line ainda com  predomínio de material textual. Isso não era novidade, mas fiz o comentário motivado principalmente pelo desconhecimento e pela percepção de alguns colegas de que preparar um curso a distância seria simplesmente convertir em pdf os materiais e apostilas que já utilizavam nos cursos presenciais.   

Em um curso na minha universidade ministrado neste ano para docentes que atuarão na EaD houve a percepção, motivada também de forma empírica pelas dificuldades aparecidas na realização das tarefas que simulavam uma prática real de criação de um curso, que o número de horas seria muito maior que aquela cifra pensada em 2008.

Hoje, via XarxaTIC, soube de que, segundo LeanForward, para preparar cada hora de aula de um curso de qualidade interativo seriam necessárias nada menos que duzentas horas de trabalho, as quais que estariam repartidas entre o gerente de projetos (10-12h), o designer instrucional (60-80h), o designer multimídia (20-40h), o desenvolvedor do curso (60-80h) e o responsável por cuidar da qualidade do produto final (10-20h).

Nesse momento lembrei do conceito de polidocência na EaD, que MILL (2002) define como o trabalho de forma coletiva e cooperativa de toda uma equipe de profissionais necessário para realizar as atividades de ensino-aprendizagem na educação a distância.

Tenho constatado que em algumas instituições existem equipes completas trabalhando de forma articulada para fornecer cursos de qualidade, mas por outro lado, também tenho constatado que não é assim em todos os lugares. Como comentava o autor de XarxaTIC, se partimos de um planejamento e implementação de pouca qualidade, como conseguiremos que o e-learning seja igual de válido que o ensino presencial, para atrair tanto os alunos quanto muitos professores que não acreditam ainda que aulas possam ser dadas ou continuadas com qualidade fora das paredes físicas das salas de aula do campus?  

Este foi o infográfico produzido pela Leanforward:
What Does It Take To Create Effective e-Learning - Infographic


Considero que todos os participantes na elaboração do curso são importantes, pois quanto mais material multimídia e interativo tiver o curso (e sem falhas), poderá ser menor a percepção da distância transacional entre alunos e professores, mas  também é muito importante a dedicação e o tempo dispensado pelo docente e tutores na hora de colocar em prática o curso e interagir com os alunos. Na prática, esse momento do curso é fundamental. Deve-se ter em consideração que com o surgimento e proliferação na atualidade dos cursos MOOCs (Massive Open Online Courses ou Cursos Online Abertos Massivos) deve haver um esforço adicional, tanto na atenção na preparação dos cursos quanto para seu fornecimento e colocação em prática, agora para miles de estudantes. Por isso, todas estas questões cobram uma importância ainda maior que a que já tinham até agora.

Para finalizar e voltando para o assunto inicial, aproveito para recomendar a leitura do livro "Polidocência na Educação a Distância Múltiplos Enfoques" organizado por Daniel MILL; Luis Roberto de Camargo RIBEIRO e Marica Rozenfeld Gomes de OLIVEIRA (Edufscar, 2010), mas também podem ver, por enquanto, este artigo com participação do primeiro desses autores. MILL, Daniel; FIDALGO, Fernando. Sobre tutoria virtual na educação a distância: caracterizando o teletrabalho docente. Virtual Educa Brasil, 2007.


17 de ago de 2012

Conheça as competências para o século 21

As tecnologias estão cada vez mais presentes em sala de aula, o professor tem que se preocupar em preparar o aluno para ser atuante em um mundo em transformação e ajudá-lo a desenvolver as tão faladas competências específicas para o século 21, certo? Tudo certo, exceto pelo fato que ninguém sabe exatamente que competências são essas – o que é bem desesperador para pais, professores e gestores públicos, que não têm o embasamento necessário para definir o que podem oferecer para que suas crianças e jovens tenham acesso à melhor formação possível.

Intrigado com essa questão, um grupo de fundações pediu que o National Research Council, uma organização norte-americana que faz pesquisas sobre temas importantes da sociedade para ajudar governos a desenharem políticas públicas, reunisse especialistas para definir quais são essas competências. Durante um ano, um comitê formado por educadores, psicólogos e economistas fez pesquisas sobre o que se espera que os estudantes alcancem nos seus ciclos escolares, nos seus futuros trabalhos e em outros aspectos da vida. O resultado, publicado no fim de julho no livro digital “Educação para a Vida e para o Trabalho: Desenvolvendo Transferência de Conhecimento e Habilidades do Século 21“, tenta dar nomes aos bois e ajudar professores e gestores públicos a prepararem os estudantes para o século 21. O download é gratuito. Um resumo de quatro páginas pode ser visto aqui (em inglês).

De acordo com o estudo, o aprendizado que tanto se procura está relacionado à capacidade de aplicar o que se aprendeu em situações novas, o que os estudiosos chamaram de “transferência de conhecimento”. Isso significa, exemplificam os autores, que não basta o aluno aprender os conceitos matemáticos de média, moda e mediana, ele precisa conseguir usar o que aprendeu na sua vida. Essa habilidade de transferir o que se sabe, seja em circunstâncias da vida real, seja dividindo conhecimento com outras pessoas, ajuda os estudantes a desenvolverem as competências para o século 21.

Tais competências foram divididas em três grandes domínios. O primeiro deles é o cognitivo, que é aquele que envolve estratégias e processos de aprendizado, criatividade, memória, pensamento crítico; é o que está relacionado à aprendizagem mais tradicional. Segundo os autores, essa é a dimensão em que se tem uma oferta mais farta de pesquisas e, por isso, há claras evidências de que o bom desempenho nessa área traz bons resultados posteriores na vida do aluno.

Os outros dois domínios, muito menos estudados, são o intrapessoal e o interpessoal. O intrapessoal tem relação com a capacidade de lidar com emoções e moldar comportamentos para atingir objetivos. Já o interpessoal envolve a habilidade de expressar ideias, interpretar e responder aos estímulos de outras pessoas.

Os três domínios, no entanto, não são estanques. Existe uma interseção entre eles que envolve habilidades que podem estar em mais de um domínio, conforme imagem a seguir (clique para uma melhor visualização).



Apesar da falta de pesquisas que ajudem a embasar as conclusões, sobretudo nos campos inter e intrapessoais, os especialistas apontaram que características relacionadas à consciência crítica, como ser organizado, responsável e dedicado ao trabalho, trazem resultados desejáveis na educação. Por outro lado, o comportamento antissocial acarreta resultados negativos.

Diante desse contexto, os pesquisadores alertaram para dois grandes desafios que deverão ser enfrentados. O primeiro deles diz respeito à falta de pesquisas, que atrapalha a criação de currículos e avaliações dos alunos. O segundo, que depende de novas abordagens no sistema educacional e políticas públicas específicas, é a oferta de capacitação de professores para que eles sejam capazes de criar ambientes favoráveis à troca de conhecimento.

Apesar de ainda serem necessários alguns estudos para pavimentar esse caminho, os pesquisadores dão seis dicas de atuação em sala de aula para que professores possam preparar o aluno para o século 21 – que começou há 12 anos.

1)   Procure usar representações variadas, como diagramas, representações numéricas e matemáticas, simulações;

2)   Encoraje uma postura questionadora e proporcione momentos em que os alunos possam expor o que sabem;

3)   Incentive os alunos a participarem de desafios; neste processo, seja um facilitador, dê feedback e os faça compreender seus próprios processos de aprendizagem;

4)   Ensine dando exemplos, citando casos; use, por exemplo, modelos de passo a passo explicando cada etapa;

5)   Prime pela motivação dos alunos, escolhendo temas que se conectem com suas paixões; incentive-os a resolver problemas, preste atenção na evolução de seus conhecimentos, muito mais que em suas notas;

6)   Use avaliações formativas em que o aluno é monitorado continuamente.

fonte: http://porvir.org/porpensar/conheca-competencias-para-seculo-21/20120814

16 de abr de 2012

Virtualização acadêmica e profissional. Breves reflexões e algumas sugestões de um professor da Universidade Federal de Alagoas

Coloco à consideração de vocês este breve texto que senti vontade de escrever agora, no mes de abril, com algumas reflexões sobre nossa universidade e o papel que podem ter as tecnologias em alguns aspectos relacionados com as novas configurações de estudo e trabalho em redes.

A versão latino-americana do famoso relatório Horizon vaticinava que em 2010 as redes sociais e o trabalho colaborativo estariam entre as implementações que veríamos no curto prazo de um ano no contexto da educação. O relatório acrescentava que o conhecimento seria cada vez mais descentralizado, estaria na nuvem (da Internet)  e a tecnologia, além de ser um meio para capacitar às pessoas, também seria cada vez mais um meio de comunicação e de relacionamento, constituindo uma parte ubíqua e transparente de nossas vidas.

Realmente, neste período de quase dois anos temos visto como as redes sociais foram mudando e penetrando progressivamente em nossas vidas. Inicialmente, as considerávamos como de utilidade apenas para o lazer, mas aos poucos foram ficando mais presentes em nossas atividades acadêmicas e profissionais.  De fato, as formas de aprendizagem informais e não formais estão ocupando cada vez mais espaço junto com a aprendizagem formal, e as três já podem acontecer em qualquer momento e lugar.

Os que trabalhamos ou estudamos na UFAL também estamos imersos neste processo de mudanças tecnológicas e de hábitos, que às vezes passam imperceptíveis, mas estão aí. 

Daremos alguns exemplos.

Basta dar um passeio pela biblioteca central e perceberemos o ambiente produtivo existente nas salas centrais em que muitos alunos estão estudando com seus laptops ligados, redigindo textos ou preparando apresentações sobre temas das aulas que foram exigidos como tarefas. Aproveitam para isso a internet sem fio disponível. Também podemos ver como são acessados e baixados artigos desde o portal de periódicos CAPES e bases de dados disponíveis desde a sala de consulta habilitada para esse fim.    

Usuários da Biblioteca Central da UFAL estudando e utilizando a facilidade de acesso à Internet disponível (foto do autor).

Alunos também formam naturalmente comunidades nas redes sociais como Facebook ou Orkut onde discutem temas variados. Um funcionário alimenta uma comunidade que gosta de postar e intercambiar fotografias da cidade de Maceió. Pode não ser de nosso interesse imediato, mas aí está e provavelmente lembraremos dele quando precisemos de uma imagem da cidade ou de alguém que possa opinar ou dar uma palestra sobre o tema. Se não fosse porque está presente na rede, provavelmente não conheceriamos o que esse funcionário faz em seu tempos livres. 

Da mesma forma, os professores e pesquisadores se agrupam de forma informal (ou formal) constituindo redes de trabalho ou de aprendizagem. Muitos já devem saber que o Google plus é um exemplo de outra rede social em crescimento com possibilidades de uso pedagógico.

Por outro lado, de forma cada vez mais natural e frequente participamos em palestras e encontros virtuais com pesquisadores e professores de outras partes do mundo, com o objetivo de apresentar e intercambiar conhecimentos e com possibilidades de conversar e interagir entre todos. Depois, com o intuito de sumarizar os principais pontos tratados nesses encontros e favorecer a disseminação desse conhecimento, muitas vezes repassamos quase instantaneamente a informação obtida, utilizando para isso os vídeos gravados na hora ou documentos de texto criados em Google Docs de forma colaborativa entre os participantes.

Outro sinal é como, de uma forma modesta ainda, professores e pesquisadores da UFAL estão participando naturalmente  em redes científicas internacionais não formais e de caráter multidisciplinar. Em 23 de março deste ano estavam registrados na incipiente rede Research Gate (http://www.researchgate.net),  cento e dezesseis docentes da nossa universidade. Outra rede social relativamente nova é Academia.edu (http://www.academia.edu), com cento e vinte e cinco participantes de nossa universidade na mesma época. Além dos interesses específicos de cada um em suas respectivas especialidades, poderia ser bem possível utilizar possibilidades de interação como essa para tratar de temas de interesse comum em nossa instituição ou simplesmente para tomar conhecimento das pesquisas dos outros docentes. Na vida acadêmica, não é incomum que não tenhamos conhecimento das últimas pesquisas e preocupações acadêmicas de nossos colegas, mas poderiam ser encontradas muitas áreas de interesse ou de utilidade entre os pesquisadores de uma universidade ou região, independentemente da especialidade de cada um.

Cada um de nós pode ir montando seu próprio Ambiente Pessoal de Aprendizagem (conhecido pela sigla de PLE em inglês) em que redes sociais, blogs, wikis e microblogging, junto com o etiquetado social, formariam parte das ferramentas que podemos configurar e otimizar para que trabalhem em conjunto de forma a conseguir filtrar, canalizar e organizar para nosso proveito pessoal e de outros,  esse crescente fluxo de informação.

É verdade que em termos acadêmicos não podemos ser meros expectadores  e usuários das possibilidades técnicas que vão surgindo, mas também deve haver uma política institucional de apoio tecnológico e de reflexão permanente para facilitar esse trabalho e procurar ações e estratégias de melhoria e crescimento permanente.
(imagem criada pelo autor)

É por isso que neste texto quero ir um pouco além desta breve apresentação e gostaria de comentar sobre alguns interesses e tendências que poderia haver em comum no setor acadêmico da nossa universidade, de forma que possa ser estimulada uma colaboração e intercâmbio de conhecimentos em um nível superior à especialidade que temos ou o setor em que trabalhamos, facilitado pelo uso cada vez mais colaborativo e intenso da internet e das tecnologias.

De início, é uma necessidade que em curto prazo exista uma maior cobertura de internet sem fio e considero que não é difícil de instalar na Universidade Federal de Alagoas essa base necessária.

Aquele ambiente de produtividade observado na biblioteca que citei acima me faz pensar que se temos no campus zonas de Wi-fi abrangentes e operativamente eficientes, já estaria o caminho preparado para mudar as práticas docentes e discentes, acredito que para melhor.

Em outra ordem de coisas, o que é possível fazer em matéria de formação, interação e desenvolvimento acadêmico e pessoal no trabalho com as TIC?   

São necessários cursos de treinamento gerais e específicos, e nesse sentido a CIED avança nas novas propostas formativas, mas também devem ser criadas oportunidades para que essa formação não seja apenas de forma vertical e pontual, pois não é necessariamente através de um curso curto que a pessoa terá o domínio de uma determinada ferramenta e sua devida possibilidade de aplicação. No meio virtual, principalmente nos ambientes da web 2.0, muita coisa se aprende de forma informal, por imitação ou também apenas quando chega o momento ou se sente a necessidade de colocar em funcionamento alguma ferramenta para resolver alguma necessidade específica. O conhecimento necessário  pode ser obtido também através da discussão e interação entre docentes que já tiveram essa necessidade e acumularam experiência anterior nesse sentido, sem deixar de considerar também a possibilidade de apresentar e discutir casos variados considerados de boas práticas.

Em outras palavras, devem ser criadas oportunidades para uma interação horizontal, livre e contínua entre os docentes e não apenas a oferta de cursos verticais e específicos de treinamento que não asseguram necessariamente a continuidade do processo formativo.

A maturidade no uso das tecnologias em uma universidade pode ser medido pela capacidade de crescimento, de adaptação e de inovação, mas também é necessário o estabelecimento de canais de diálogo entre a instituição e todos seus participantes em matéria de tecnologias e processos mediados por elas (MARSHALL, 2012).

O conhecimento das tecnologias é necessário, sem dúvida alguma, isso é o básico do básico, e além de que sempre será em diversos níveis de aproveitamento, mas também poderíamos e deveríamos mudar um pouco o foco e pensar em TAC (Tecnologias para Aprendizagem e Conhecimento) em lugar das TIC, ou seja, devemos mudar de uma visão tecnológica, instrumental, para uma visão mais pedagógica e equilibrada, pois o processo pedagógico pode ser ainda mais importante que o primeiro, já que as tecnologias mudam constantemente.

Nesse sentido, acredito que, além de reforçar o uso do Moodle para cursos fechados, em todos os níveis, como já é feito até agora,  seria muito conveniente criar também em nossa universidade uma outra base consistente para a interação formal e informal dos docentes, e deles com seus alunos, o qual poderia ser por meio de uma plataforma institucional que seja polivalente, no estilo da plataforma Stoa, da Universidade de São Paulo (http://stoa.usp.br) , que ajudaria os docentes para divulgar e mostrar seus resultados acadêmicos, aumentando sua visibilidade, e também permitiria um intercâmbio maior entre eles, favorecendo a aparição de comunidades e facilitando a experimentação com outros tipos de práticas e metodologias mais condizentes com a filosofia da web 2.0.  

Stoa. Plataforma polivalente e colaborativa da USP

Essa padronização de possibilidades com várias ferramentas ou possibilidades de trabalho e colaboração reunidas em uma plataforma única considero que não  significa necessariamente trazer uma padronização ou recorte nas práticas e possibilidades dos docentes, tudo o contrário, facilitaria o trabalho acadêmico, além de fortalecer a interação e a imagem institucional na prática.            

O conhecimento tecnológico, pedagógico e de conteúdo (CTPC em português ou TPSCK em inglês) pode ser um construto de valor que guie nossa formação e reflexão sobre uso e compreensão do potencial pedagógico das tecnologias (GRAHAM; BORUP; SMITH, 2012), e em sentido geral acredito que a metáfora da aquisição de conhecimentos, comumente presente em nossos afazeres pedagógicos, deverá ser vinculada à metafora da participação (SFARD, 1998). Se a primeira enfatiza o movimento interior do objeto, que é conhecido como conhecimento, a segunda metáfora (MP) enfatiza as caraterísticas comuns das partes na sua relação com o todo. 

Docentes e alunos são entendidos como sujeitos adscritos a uma comunidade específica e participantes ativos do processo, por isso a metáfora da participação. As duas metáforas não deveriam ser pensadas separadas uma da outra.

 [imagem tomada de Xarxa.tic]

Até aqui tratamos sobre a necessidade de fortalecer as competências digitais dos participantes e de assegurar um uso mais abrangente e aberto das tecnologias em toda a universidade, mas gostaria de comentar, por último, que  deveria haver também uma política institucional para divulgação de publicações acadêmicas. Um caminho importante pode ser instaurado com o uso extensivo de uma plataforma padronizada de revistas eletrônicas e abertas, como é o caso do Open Journal Systems (OJS), cada vez mais utilizado em universidades brasileiras e do mundo todo para concentrar as publicações periódicas produzidas.

Deve-se reforçar nesse mesmo sentido a produção e divulgação científica de textos de assuntos diversos e de interesse para a sociedade em geral. Seria muito recomendável a presença de uma revista mais abrangente e multidisciplinar para canalizar esse tipo de textos, a exemplo de como já é feito em outras universidades que mantém esse tipo de publicação. Agora bem, divulgação não está apenas limitada ao material textual, pois suportes áudio-visuais podem exercer o mesmo papel de forma paralela ou complementar. Canais de podcast ou de vídeos sobre temas diversos podem ser de utilidade e é uma tendência na distribuição de conteúdos acadêmicos e divulgação de conhecimento, como fazem alguns projetos colaborativos no mundo fora: Connexions (http://cnx.org) ou The Faculties (http://www.thefaculties.org), por apenas mencionar dois exemplos.  Mais que pensar em projetos individuais ou isolados, é bom levar em consideração que existe um portal nacional, o Portal do Professor (http://portaldoprofessor.mec.gov.br) ,  que bem poderia agrupar os esforços de colaboração feitos pelas universidades brasileiras em caso de que eles fossem direccionados para os conteúdos escolares da educação básica.      

Até aqui tentei colocar algumas ideias acerca de várias ações que  poderiam ser realizadas em matéria de tecnologia para estimular a criação de comunidades internas e a participação nelas, o qual fortaleceria a posição e imagem de nossa universidade como lugar de ensino, pesquisa e extensão.

Para finalizar acrescentarei algumas poucas referências e sugestões de leitura que podem ser úteis e talvez possam servir de base para uma maior compreensão dos fenômenos em que estamos imersos e das possibilidades ou necessidades de atuação.  Uma discussão e análise mais aprofundado de cada elemento fuge do objetivo de divulgação inicial e estimulo à reflexão que foi o propósito deste texto, mas continua sendo necessário no futuro próximo.

Referências

ALA-MUTKA, Kirti. Mapping Digital Competence Towards a Conceptual Understanding. European Comission/Joint Research Centre Institute for Prospective Technological Studies. Sevilla, 2011. Disponível em: http://ftp.jrc.es/EURdoc/JRC67075_TN.pdf [Esse documento foi enriquecido posteriormente com reflexões produzidas por outros, como é o caso de REIG, Dolors. Aprendizaje y evolución de lo tecnosocial. El Caparazón, 7 de marzo de 2012. http://www.dreig.eu/caparazon/2012/03/07/aprendizaje-tecnosocial Isso não é um exemplo de construção colaborativa do conhecimento? ]

GARCÍA, I. et al.. Informe Horizon: Edición Iberoamericana 2010. Austin, Texas: The New Media Consortium, 2010. Disponível em: http://www.nmc.org/pdf/2010-Horizon-Report-ib.pdf

GONÇALVES, Adriana Aguilera; CARELLI, Ana Esmeralda; CICON, Claudia Regina; GIORDANO, Lúcia Regina Marques. Contribuições dos colégios invisíveis e dos blogs na disseminação e compartilhamento do conhecimento científico.. In: Anais do IV Seminario em Ciência da Informação. Londrina: UEL, 2011. Disponível em: http://www.uel.br/eventos/secin/ocs/index.php/secin2011/secin2011/paper/viewFile/60/12

GRAHAM, C.R.; BORUP, J.; SMITH, N.B. Using TPACK as framework to understand teacher candidates`s tecnhnology integration decisions. Journal of Computer Assisted Learning, 2012 . Disponível em: http://www.mendeley.com/download/public/2195651/4066874092/0ef5970e910fffc4143a4f090e7abe9de6e51cac/dl.pdf

LIN, Janet Mei-Chuen; WANG, Pei-Yu; LIN, I-Chun.  Pedagogy * technology: A two-dimensional model for teachers’ ICT integration. British Journal of Educational Technology, v. 43, n. 1, p. 97–108, 2012. Disponível em: http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/j.1467-8535.2010.01159.x/pdf

MARSHALL, Stephen. Improving the quality of e-learning: lessons from the eMM. Journal of Computer Assisted Learning, 28, p. 65-78, 2012. Disponível em: http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/j.1365-2729.2011.00443.x/pdf

PAIVA, Vera Menezes de O. Ambientes virtuais de aprendizagem: Implicações epistemológicas. Educação em Revista, Belo Horizonte, v. 26, n. 3, p. 353-370, dez. 2010. Disponível em http://www.scielo.br/pdf/edur/v26n3/v26n3a18.pdf

SFARD, Anna. On two Methaphors for Learning and the Dangers of Choosing Just One. Educational Researcher, v.27, n. 2, p. 4-13, Mar., 1998. Disponível em: http://people.ucsc.edu/~gwells/Files/Courses_Folder/ED%20261%20Papers/Sfard_ER1998.pdf

SIEMENS, George. Knowing Knowledge beta, 2006. Disponível em: http://www.elearnspace.org/KnowingKnowledge_LowRes.pdf [há também uma versão em espanhol: Conociendo el conocimiento. Ediciones Nodos Ele, 2010. Disponível em: http://es.scribd.com/doc/64151487/Siemens-Conociendoelconocimiento ]

28 de mar de 2012

Prova de línguas no ENADE?

No Saber Pro, uma prova feita pelo ministério de educação colombiano para avaliar a qualidade do ensino superior do país, similar ao ENADE brasileiro, existem perguntas para testar os conhecimentos de inglês em todas as carreiras universitárias e técnicas do país.
O que aconteceria aqui em Brasil se o ENADE decide avaliar tabém línguas estrangeiras (inglês e/ou espanhol) de forma obrigatória para os que terminam uma carreira universitária?
Seria bom? Acho que sim, pois estimularia o ensino de leitura instrumental em língua estrangeira.

16 de mar de 2012

Juiz cria "toque de estudo" em três cidades da BA e manda recolher aluno que matar aula

A partir do dia 9 abril, os estudantes das cidades de Olindina, Crisópolis e Itapicuru (as três, na Bahia) que forem flagrados “matando” aula serão conduzidos ao Conselho Tutelar, onde os pais serão convocados e responderão a processos, que resultarão em aplicação de multa estipulada pela Justiça. Segundo portaria publicada na terça-feira (13) pelo juiz José Brandão Neto --que responde pela comarca das três cidades--, conselheiros tutelares, agentes de proteção à infância e Polícia Militar estão autorizados averiguarem situação suspeita de evasão escolar. No caso de policiais, eles só poderão autuar em caso de acompanhamento de um dos integrantes de órgãos de defesa infantil. A portaria está sendo chamada de “toque de estudo.” Brandão explicou ao UOL Educação que a medida foi tomada porque muitas das crianças e adolescentes matriculadas não estão comparecendo às aulas. Além disso, ele cita que a grande maiores dos jovens infratores são analfabetos ou não estudam.

“Solicitamos às secretarias de educação sobre evasão escolar, e descobrimos que aproximadamente 2.000 alunos foram matriculados, mas não estão indo às escolas nesses três municípios. Sabemos que um dos motivos da evasão escolar é justamente a falta de fiscalização dos poderes públicos e nós vamos cobrar os pais das suas obrigações. Se os pais     matricularem os filhos e não zelarem pela frequência, pagarão multa de três a 20 salários mínimos, conforme dia o artigo 249 do Estatuto da Criança e do Adolescente. E nós vamos multar, especialmente os reincidentes”, afirmou Braga. De acordo com o juiz, de 80% a 90% das portarias que baixa na cidade, são para cumprir leis que já existem. "Nós baixamos as portarias apenas para que elas sejam cumpridas"

Pais de analfabetos presos - Mas as medidas não se restringem aos estudantes que escapam das aulas. A portaria prevê punições aos pais de crianças e adolescentes que não matricularem os filhos na escola e também aos pais de jovens analfabetos. Segundo o juiz, um levantamento mostra que 40% da população de Itapicuru e 30% de Olindina é formada por analfabetos, o que apontaria para um abandono intelectual dos pais, sujeito a pena de prisão. A partir de agora, a Polícia Militar e órgãos de proteção aos jovens também terão autorização para abordar situações consideradas suspeitas.

"Os pais que deixarem de matricular o filho, entre quatro e 18 anos de idade incompletos, na rede de ensino pública ou privada, sem justa causa, responderá a processo por crime de abandono intelectual, nos termos do art. 246 do Código Penal, caso em que serão conduzidos para Delegacia de Polícia local", diz a portaria. Medida     semelhante valerá para os pais de jovens analfabetos, que também poderão ser detidos. "Se forem encontrados [jovens] maiores de 18 anos analfabetos, os pais serão levados à delegacia em flagrante, por cometeram abandono intelectual. Eles podem ficar presos, dependendo da situação. Se ele não conseguir provar que teve dificuldade, como ser morador da zona rural e não ter transporte, poderá ficar detido”, explicou Brandão.

A medida foi elogiada pelos conselhos tutelares das cidades atingidas pelas novas determinações. “A gente vê como bastante positiva a iniciativa. Tudo que venha para contribuir com a presença da criança na escola será apoiada. Esperamos por uma reunião com o juiz para termos detalhes de como vão funcionar os detalhes dessa portaria. Mas sabemos que uma determinação vinda de um juiz vai fazer com que os pais pensem em colocar e acompanhar seus filhos na escola”, disse Hilda Santiago, conselheira tutelar de Olindina. Segundo ela, o grande problema será a falta de estrutura do órgão para fazer valer os direitos da criança e adolescente. “Realmente é uma situação difícil, pois não temos mais carro e dependemos do carro da prefeitura, que só vem uma, duas vezes por semana”, afirmou Santiago.

Carlos Madeiro, Maceió.
UOL Educação, 14/03/2012
http://educacao.uol.com.br/noticias/2012/03/14/juiz-cria-toque-de-estudo-em-tres-cidades-da-ba-e-manda-recolher-aluno-que-matar-aula.htm

13 de fev de 2012

Estado da educação

Enem, currículo mínimo, ensino infantil e qualificação de professores são os desafios que Mercadante encontra no MEC como legado de Haddad

A troca de ministros na pasta da Educação renova oportunidades e temores quanto ao setor apontado como o mais estratégico para o desenvolvimento do país. Após seis anos e meio, Fernando Haddad deixou o MEC em janeiro para candidatar-se a prefeito de São Paulo pelo PT. Foi o terceiro ministro que mais tempo permaneceu no cargo. Perde só para Paulo Renato Souza (1995 a 2002) e Gustavo Capanema (1934 a 1945). Nos padrões brasileiros, foi tempo suficiente para deixar alguma marca, e Haddad o fez. Qualquer análise do que acontece na educação, no entanto, precisa considerar que sucessos e fracassos de hoje resultam, principalmente, da acumulação de erros e acertos no passado. O descaso histórico com o setor não poderia resultar em diagnóstico diverso do formulado pelo movimento Todos Pela Educação, que mostra apenas 11% dos formandos do ensino médio com nível de aprendizado adequado em matemática e 8% da população entre 4 e 17 anos fora da escola. No entanto, mesmo diante de fotografia tão lamentável, é urgente evitar a autoflagelação estéril.

Os indicadores nacionais e internacionais de avaliação mostram que houve alguma melhoria na qualidade da educação, especialmente no começo do ensino fundamental. O Ideb, índice que combina numa escala de 0 a 10 o desempenho dos alunos e as taxas de aprovação, aumentou 0,8 ponto. Foi de 3,8 para 4,6 -ainda uma nota vermelha- no antigo primário, entre 2005 e 2009. Os últimos resultados do Pisa, um exame internacional padronizado, mostram que se reduziu a distância diante dos países desenvolvidos, mas o     abismo permanece. O país é o 53º colocado numa lista de 65 nações comparadas, e um jovem de 15 anos na escola está, em média, dois anos atrasado em proficiência de leitura, na comparação com estudantes da mesma idade em países ricos. É preocupante a quase estagnação do ensino médio no país. Além de ser o setor em que menos se avançou, é também um nível de ensino cujo acesso ainda não foi universalizado, pois quase metade dos jovens de 15 a 17 anos estão ausentes de suas salas. Melhorar o desempenho médio dos alunos, ao mesmo tempo em que os jovens pobres sejam incluídos na etapa final do ensino básico, é um desafio que exigirá esforço maior do que o realizado até agora.

As marcas mais visíveis deixadas por Haddad foram a criação do ProUni, que deu 920 mil bolsas para jovens frequentarem a universidade, a eleição de metas de qualidade no ensino básico, a serem atingidas em colaboração com municípios e Estados, e a ampliação do investimento público em educação, de 3,9% para 5% do PIB. Acertou também ao dar continuidade a políticas herdadas do governo do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Foi o caso da distribuição e da avaliação de livros didáticos, das avaliações educacionais e do Fundef, fundo de financiamento do ensino fundamental ampliado em 2007 para abranger também a educação infantil e o ensino médio, depois rebatizado como Fundeb. Deixa para o seu sucessor, o também petista Aloizio Mercadante, vários e enormes problemas por resolver. O mais notório é o Enem. Trata-se de uma boa ideia, que deveria ajudar a nortear o ensino médio, mas que se revelou um verdadeiro fiasco, com     sucessivas falhas. É também imperioso avançar na formulação de um currículo mínimo nacional, que, ao contrário dos parâmetros curriculares atualmente em vigor, seja preciso e enxuto. Os professores de hoje carecem de orientações claras sobre o que a sociedade espera que os alunos aprendam em cada série.

Dar mais recursos ao ensino infantil, ampliar programas para reciclar e pagar melhor os docentes, reformar currículos de cursos universitários de formação de professores -eis alguns dos outros desafios que precisam de mais atenção do governo federal. A União tem a responsabilidade de liderar Estados e municípios nessa matéria. Os desafios são muitos, mas o atual e os futuros ministros da Educação contarão com uma ajuda preciosa da demografia. Nos últimos 30 anos, a queda nas taxas de fecundidade levou à diminuição do número absoluto de crianças nascidas a cada ano. Isso facilitará a inadiável tarefa de aumentar os investimentos per capita na infância. Além do mais, os alunos que hoje ingressam nas escolas são filhos de mães com maior instrução. Em 1981, apenas um quarto das mulheres em idade fértil tinha completado o ensino fundamental. Em 2009, a proporção passou a ser de 70%. Como essa é uma das variáveis de maior impacto no desempenho do aluno, isso significa que, pela própria inércia demográfica, há condições para dar um salto no aprendizado. Mas, para que o futuro nos aproxime das nações desenvolvidas, os governantes do presente precisam agir com o discernimento de quem enxerga muito além do calendário eleitoral.


Editorial Folha de São Paulo, 12/02/2012 - São Paulo SP

Tecnologia sem pedagogia

Embora a presidente Dilma Rousseff tenha prometido converter a educação em prioridade de sua gestão, seu governo vem mantendo, neste setor, a tradição iniciada por seu antecessor, de agitar bandeiras muito mais vistosas do que eficazes. A última iniciativa do Ministério da Educação (MEC ) é prova disso. Sem análises técnicas aprofundadas sobre o uso pedagógico de aparelhos eletrônicos em sala de aula, o órgão acaba de abrir uma licitação para adquirir 900 mil tablets, que serão distribuídos na rede pública de ensino básico. Indagadas a respeito de como o material será utilizado, as autoridades educacionais limitaram-se a afirmar que o método pedagógico será definido depois da chegada das máquinas. Em outras palavras, o MEC pretende gastar mais de R$ 330 milhões num projeto de contornos imprecisos e metas vagas. A ideia é que, depois de aprenderem a manusear os tablets, os professores da rede pública disseminem em sala de aula tudo o que aprenderam em matéria de tecnologias digitais.

Contudo, de que adianta dar material eletrônico de última geração a alunos que mal sabem escrever o nome, não são capazes de escrever uma redação e, em matemática, não conseguem ir muito além das quatro operações aritméticas? Faz sentido gastar com tablets e outros equipamentos de informática quando as instalações físicas de muitas escolas da rede pública se encontram deterioradas     por falta de recursos para manutenção? Não seria mais eficiente valorizar o objetivo básico do sistema educacional - que é ensinar a ler, a escrever e a calcular -, do que desperdiçar recursos com modismos pedagógicos? Por que gastar tanto dinheiro em técnica de comunicação se o conteúdo do que é comunicado continua sendo objeto de livros didáticos medíocres, muitos dos quais com erros elementares, falhas conceituais e nítido viés ideológico?

Até mesmo os educadores favoráveis ao uso de tecnologias digitais nas salas de aula da rede pública de ensino básico criticam o açodamento das autoridades educacionais na aquisição dos 900 mil tablets. Eles lembram que, para fundamentar a decisão, o MEC realizou apenas uma audiência pública, em agosto do ano passado. E, mesmo assim, os debates giraram mais em torno de aspectos técnicos - como tamanho de tela - do que de questões educacionais. O fato é que a compra de 900 mil tablets poderá ter a mesma trajetória do projeto Um aluno por Computador, lançado pelo presidente Lula. Inspirado nas ideias do americano Nicholas Negroponte, que propôs no Fórum Econômico de Davos de 2005 a distribuição de computadores pessoais de baixo custo nos países em desenvolvimento como o primeiro passo para uma revolução educacional, o projeto era oportuno, mas foi implantado com graves falhas de gestão. Relatório feito     pela UFRJ, a pedido da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), afirma que o projeto está em situação "caótica". Dos 600 mil computadores que foram oferecidos no ano passado a Estados e municípios, só a metade foi comprada. Uma parte dos computadores adquiridos encontra-se subaproveitada. O índice de laptops quebrados é alto.

Diz ainda o relatório que, como não passaram por programas de capacitação para utilizar tecnologia digital em sala de aula, os professores receberam a inovação como "ameaça". Cerca de 20% dos docentes guardaram o equipamento numa gaveta ou num armário. "O desenho do projeto subestimou as dificuldades de apropriação da tecnologia pelos professores do ensino fundamental e médio em comunidades relativamente carentes, o que levou a um subaproveitamento dos computadores em sala de aula", diz o relatório da SAE, depois de afirmar que o projeto teve "custos elevados" e que seus resultados ficaram "aquém do esperado". Ninguém põe em dúvida a importância da tecnologia como instrumento de educação. O que se pergunta é se não seria mais urgente cuidar dos gargalos da educação pública, como a melhoria do ensino de disciplinas básicas, nas quais o desempenho da maioria dos estudantes nas avaliações do MEC continua abaixo da crítica.

O Estado de São Paulo, 13/02/2012 - São Paulo SP
http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,tecnologia-sem-pedagogia-,835153,0.htm

8 de fev de 2012

Relatório "De olho nas Metas 2011"

Procure a capital de seu estado o observe se foi alcançada a meta :

A meta do movimento Todos pela Educação estabelece que 70% ou mais do corpo discente deve ter aprendizado adequado à série.

Veja mais informações detalhadas no relatório "De olho nas Metas 2011" realizado pela ONG Todos pela Educação.

Professor. Você escreve tudo na lousa?

Isto é para refletir um pouco sobre nossas práticas escolares, pois estou ciente que o problema relatado nesta notícia é muito mais comum que o que podemos imaginar:
Alunos copistas são a nova face do analfabetismo funcional, que chega a atingir um terço da população brasileira.
Já viu a notícia? Eu sinceramente acredito que não é uma nova face, já é muito antiga, mas provavelmente agora é que tem recebido a atenção dos especialistas.
Enquanto não chegam as conclusões deles e novas propostas de ações corretivas/preventivas vou propor um teste simples e rápido para você saber se está tendo esse problema em sua sala de aula.
Experimente fazer um ditado e ver o que acontece. Se seus alunos tiverem dificuldades para passar para o caderno as informações que você está ditando é muito provável que você tenha alunos com esse problema referido acima.
Então proponho mudar aos poucos as práticas e não escrever tudo na lousa.
Fale mais sobre os conteúdos e escreva menos, faça alguns ditados com frequência e peça para eles explicarem o que entenderam, obrigue a escrever o que estãoe escutando e não apenas sobre o que está escrito na lousa, promova atividades de retextualização, etc. Dessa forma estará estimulando novas capacidades e habilidades intelectuais nos alunos.
Você tem alguma experiência ou comentário que queira fazer sobre este tema?