27 de jul. de 2026

Um exemplo de uso errado da IA em TCC

 

 

Poderia mencionar vários exemplos que tenho observado nos últimos meses, mas para estimular a reflexão vou citar neste post um trecho de um artigo recente de uma pesquisadora que sigo com muito carinho: 

Minha sala de aula, hoje, é palco de cenas muito interessantes das quais fazem parte usos de IA um tanto desajeitados. E isso vai aumentar, pelo visto. Na graduação, vivemos episódios com textos de todo tipo, mas especialmente com os Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC). Há bem pouco tempo, uma estudante submeteu a uma banca um texto supostamente autoral que se valia de catorze citações da tese de uma professora da instituição. Nenhuma dessas citações era verdadeira. A IAG empregada, diante da demanda de encontrar boas citações para o trabalho, inventou os fragmentos e os atribuiu à autora (essa invenção tem sido chamada de “alucinação”). Ocorre que essa mesma autora fazia parte da banca e pôde apontar o equívoco, afirmando não reconhecer nenhuma daquelas citações supostamente diretas. Questionada sobre a autoria do trabalho, a aluna assumiu ter usado IA, mas “só um pouco”, isto é, ela delegara à máquina apenas as citações, segundo confessava. O TCC foi recolhido, a banca foi cancelada e a estudante ganhou uma nova chance não apenas de escrever seu trabalho, mas de aprender a fazer um uso mais refinado da IA, desconfiando sempre do que ela gera (Ribeiro, 2026, p. 6).


Tem acontecido algo parecido nas aulas e TCCs de vocês?

Podemos ignorar o fato e aprovar uma pesquisa acadêmica sabendo da presença de erros desse tipo no texto que avaliamos? 

Como docentes o que poderíamos fazer para tentar resolver problemas como o relatado nesta cena?


Quero propor que os professores de línguas  - principalmente os professores de português- continuem lendo e analisando as ideias vertidas pela autora do texto aqui utilizado.

Referência

RIBEIRO, Ana Elisa. Definições atualizadas e uso com moderação: um ensaio sobre inteligência artificial na Educação Básica. Texto Livre, v. 19, p. e62700, 2026. https://doi.org/10.1590/1983-3652.2026.62700 

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