4 de fev. de 2008

Declaração da Cidade do Cabo para uma Educação Aberta

Graças ao boletim semanal de Octeto, soubemos que na semana passada foi feita pública a Declaração da Cidade do Cabo para uma Educação Aberta, promovida pela Open Society Institute e a Shuttleworth Foundation que, até a data, já tinha juntado mais de mil e duzentas adesões individuais e de diversas organizações.


A declaração convida professores e estudantes para participar ativamente nesse movimento com o intuito de usar e melhorar os recursos disponíveis assim como publicar os recursos próprios através de licenças abertas. Também convoca às instituições para dar prioridade à educação aberta em suas políticas. "todos os recursos educacionais financiados com os impostos dos contribuintes deveriam ser recursos educativos abertos. Os órgãos avaliadores deveriam dar preferência aos recursos educativos abertos. Os centros de recursos educacionais deveriam incluir e destacar ativamente os recursos abertos de Educação dentro de suas coleções." (a versão em português ainda não foi concluída).


A Declaração da Cidade do Cabo está gerando um eco considerável nos meios de comunicação e na blogosfera. Um dos promotores, David Wiley, criou uma página para reunir as referências encontradas.

23 de jan. de 2008

2008 - Ano Internacional dos Recifes de Coral

Hoje sairei um pouco da educação em geral para tocar o tema da educação ambiental, pois temos uma grande data para comemorar e participar.

O 2008 foi declarado o Ano Internacional dos Recifes de Coral, pela International Coral Reef Initiative (ICRI). Esta é uma excelente oportunidade de juntar esforços para aumentar a consciência e entendimento sobre a importância dos recifes de coral e seu papel nos ecossistemas marinhos litorâneos e na vida em geral.

Se você se interessa pelo tema e quer fazer alguma ação em prol da conservação e exploração sustentável desses delicados ecossistemas presentes em uma grande parte do nosso litoral, a lista de discussão eletrônica Biota Aquática poderá servir de canal de informação e coordenação de ações entre as partes interessadas. Se você tiver alguma idéia ou proposta para esta comemoração também a poderá divulgar através dessa lista.

Para se subscrever na lista Biota Aquática, visite o site http://tech.groups.yahoo.com/group/biotaaquatica e clique no botão "Join this Group" ou envie uma mensagem sem assunto para biotaaquatica-subscribe@yahoogroups.com


Seguem alguns artigos e links úteis sobre esta comemoração e o tema dos recifes de coral:

- Artigo “2008 será o Ano Internacional dos Recifes de Coral” na FaunaBrasil http://www.faunabrasil.com.br/sistema/modules/news/article.php?storyid=1488
- artigo "Corais em risco de extinção" no Diário de Notícias, Portugal. http://www.faunabrasil.com.br/sistema/modules/news/article.php?storyid=1488

- Site do International Year of the Reef (IYOR 2008) http://www.iyor.org/

- Site da International Coral Reef Initiative (ICRI) http://www.icriforum.org/

- ONG Centro de Pesquisa e Conservação dos Ecossistemas Aquáticos (Biota Aquática) http://www.biotaaquatica.org/




7 de jan. de 2008

De volta à sala de aula

Um breve texto em que são sugeridas algumas ações simples que podem ajudar numa prática pedagogica mais efetiva.
De volta à sala de aula
O historiador e diplomata Alberto da Costa e Silva deu, como sempre, uma ótima entrevista, esta para a repórter Mariana Filgueiras, no "Jornal do Brasil", em que fala de quatro atividades essenciais que praticávamos na sala de aula e que, pelo visto, a escola brasileira abandonou. Uma, a leitura em voz alta. Um aluno lia alto e os outros o acompanhavam no mesmo texto, em silêncio. Depois se revezavam. "Quem lê em voz alta toma gosto pela leitura", diz ele. "Ler alto ensina a virgular, ensina as respirações da fala." Outra, o ditado. "Ele educa o ouvido", observa Da Costa e Silva, além de exigir do aluno o conhecimento da palavra e da estrutura da frase, a destreza e a clareza caligráficas. Quantas crianças no Brasil de hoje serão capazes de tomar um ditado sem cometer grossas batatadas com seus garranchos? Uma terceira, a cópia. O simples ato de copiar um texto estimula a concentração para a grafia, os acentos e a pontuação. Não que os garotos não estejam entregando trabalhos baseados em textos que copiam liberalmente da internet -mas a cópia na sala de aula é outra coisa. Ali é que, diante do professor, a onça bebe água. E, por fim, a redação -ou composição, como se chamava, baseada na observação de objetos. "A composição estimula os sentidos. A criança aprende a pôr no papel, com palavras, o que vê", diz Alberto. "A descrição de quadros de natureza-morta, por exemplo, é essencial." Ou a visita ao zoológico, diria eu, ou à fábrica de sorvete. Alguém dirá que o próprio conceito de sala de aula mudou e que o importante agora é enchê-la de computadores. Mas a mecânica elementar do conhecimento em nossos meninos terá se sofisticado a esse ponto? Por enquanto, o que estamos produzindo são crianças que marcam xis no chute em testes de múltipla escolha.
autor: Ruy Castro
fonte: Folha de São Paulo.
data: 07-01-2008.

1 de jan. de 2008

Manchetes para refletir sobre a educação que temos e queremos em 2008

As manchetes sobre educação no Brasil reunidas por Renato M.E. Sabbatini na lista EADBR são para refletir:

A tragédia da educação no Brasil

Algumas manchetes deste ano de 2007, que termina hoje:

* 74% da população brasileira não consegue ler e entender um simples texto
* 65 milhões de brasileiros não completaram 4 anos de estudo
* Brasil tem segundo maior índice de analfabetismo da América do Sul (14 milhões de pessoas com mais de 15 anos de idade)
* Menos de 50% dos alunos de 15 a 17 anos estão no ensino médio no Brasil
* 1.5 milhões de jovens entre 15 e 17 anos de idade estão fora da escola. Destes, 620 mil também não trabalham.
* Estudantes brasileiros ficam em penúltimo lugar em prova internacional de avaliação de conhecimento em ciências e matemática
* Apenas 20% dos alunos do nível fundamental aprendem o que é esperado em sua série.
* 40% dos alunos das escolas públicas chegam ao 4o. ano do fundamental sem saber ler e escrever.
* 70% dos alunos das escolas públicas do municipio de Sâo Paulo têm algum problema de saúde, 40% tem dificuldades de aprendizado
* 12% dos professores paulistas faltam regularmente ao trabalho
* Só 12,1% dos jovens entre 18 e 24 anos são universitários
* O número de estudantes que se formam nas universidades públicas brasileiras caiu quase 10% nos últimos dois anos
* Apenas 54% dos alunos terminam seus cursos nas universidades públicas brasileiras; em algums cursos as taxas de evasão são superiores a 70%.
* Brasil tem déficit de mais de 300.000 professores de física, química, biologia e matemática
* Apenas 2% da população têm interesse por ciências
* 50% dos brasileiros não sabem apontar onde fica o Brasil em um mapa.
* 42% das pessoas alfabetizadas leram ou lêem apenas um livro na vida
* 47% dos professores até 4ª série não têm diploma universitário
* 56% dos alunos de sexto ano das faculdades de medicina não
passaram no exame do Conselho Regional de Medicina de São Paulo
* 84% dos graduados em direito são reprovados no exame da OAB-SP
* Apenas 30 dos novos 500 cursos de direito criado nos últimos 5 anos foram aprovados pela OAB

Mas. mesmo com tudo isso, não vamos perder o otimismo. Faça alguma coisa para melhorar essa situação em 2008. Qualquer coisa. Todo brasileiro tem que se empenhar cada vez mais para tirar o nosso querido Brasil desse atoleiro que impede o nosso desenvolvimento e o fim da pobreza e da exclusão social.

Apoiem o Movimento Todos pela Educação. No site existem dicas preciosas para quem quiser colaborar. http://www.todospelaeducacao.org.br/

E acompanhe as estatísticas educacionais por este ótimo site, elaborado pelo Movimento: http://www.deolhonaeducacao.org.br/

7 de dez. de 2007

Boa gestão, e não orçamento maior, determina boas notas

Isto é mais uma opinião a favor da boa gestão e qualificação dos profissionais da educação....

Boa gestão, e não orçamento maior, determina boas notas

Diretores de unidades que perseguem metas e monitoram cumprimento de aulas melhoram desempenho escolar.

http://www.estado.com.br/editorias/2007/03/25/ger-1.93.7.20070325.8.1.xml

4 de dez. de 2007

Congresso espanhol virtual e presencial "Internet na sala de aula"

Red.es organiza el Congreso Internet en el Aula, que se desarrollará en línea entre abril y octubre de 2008 y presencialmente los días 26 a 28 de junio de 2008 en cuatro sedes simultáneas: Madrid, Barcelona, Santander y Granada.
Este congreso ha sido presentado como «una actuación de dinamización y formación para la comunidad educativa en el uso de las TIC en los procesos educativos». Se plantea como objetivos, entre otros, reconocer la figura del profesorado como principal agente de la innovación educativa a través del uso de las nuevas tecnologías, mostrar la eficacia de éstas en la mejora del aprendizaje y poner en contacto comunidades de docentes interesados en el uso didáctico de las TIC.
El sitio web del congreso incluirá los vídeos de las intervenciones y toda la documentación asociada a las mismas. También alojará los blogs, wikis y foros del congreso virtual, que "servirá de antesala y dará continuidad" a los actos presenciales.
http://www.congresointernetenelaula.es

13 de set. de 2007

Projeto "Minha Terra"


O portal Educarede está neste momento com um projeto aberto à participação de alunos e professores de todo Brasil.

Trata-se do projeto "Minha Terra" em que podem produzir e apresentar reportagens sobre a cultura de sua região. Vale a pena visitar e participar. Divulgue-o.

19 de ago. de 2007

O vilão do cópia e cola na Internet

Hoje, no jornal "Gazeta de Alagoas", sairam dois artigos assinados por Felipe Farias e com os titulos seguintes: " Plágio vira pesadelo em universidades" e "Certeza de impunidade favorece prática".

Devo dizer que, na minha opinião, eles foram escritos com um tom meio fatalista. Embora não é dito assim, detrás das linhas podemos escutar o seguinte: "o que podemos fazer contra isso?"

Digo que são fatalistas, porque parece que nada pode ser feito, apenas ter o mecanismo de "controle" adequado: um programa de computador específico, proibir o texto impresso, etc., etc.

Eu fico muito bravo, cada vez que meus filhos trazem da escola um pedido de uma pesquisa sobre um tema X e sem maiores detalhes. Um pedido desses só convida para o cópia e cola e acredito que se ainda não sabem, logo logo os adolescentes aprendem como "resolver" o problema dessa "pesquisa vazia", além do mais, quando muitas vezes servem apenas para preencher uma nota.

Tenho a impressão que os professores não conhecem que com perguntas desafiadoras e com metodologias como webquests e "caças ao tesouro", além do básico seguimento personalizado do processo de pesquisa e desenvolvimento acadêmico do aluno" é que pode ser controlada essa tendência da cópia indiscriminada, e levar o aluno para níveis mais profundos do conhecimento.

No final, embora algumas pessoas não acreditem nisto que vou dizer, é muito reconfortante quando uma pesquisa nos leva a novas descobertas, ou quando a partir de um desafio inicial e navegando pela Internet, aprendemos outras coisas que não estavam previstas inicialmente. É só saber incentivar adequadamente, saber reconhecer os logros e saber estimular a necessidade de processar devidamente a informação; saber parafrasear e citar os autores, quando necessário, etc. Para isso o professor tem que estar preparado e não só para controlar e dar o visto bom para o trabalho produzido pelo aluno.

Bom, depois de tudo isso, aqui estão os dois artigos citados. Julgue você mesmo:



PLÁGIO VIRA PESADELO EM UNIVERSIDADES

por Felipe Farias. Gazeta de Alagoas (Cidades D5), 19 de agosto de 2007.

Considerado um caminho fácil e com as vantagens de acesso a textos diversos, trabalhos copiados da internet impõem mudanças em faculdades.

O caminho é fácil porque requer apenas cinco teclas para executar os comandos: uma dassetas + shift (maiúsculas) para selecionar o texto e mais três (ctrl + C; ctrl + V) para copiá-lo e colá-lo. E, ironicamente, o resultado é o exemplo mais acabado da "lei do menor esforço". O problema éque pode tratar-se de um crime, previsto em lei federal: plágio.

Com as vantagens de acesso a textos diversos, dos mais variados campos do conhecimento,possibilitadas pela internet, copiar uma idéia e fazê-la passar por sua usando para isso arede mundial de computadores virou pesadelo para professores e chegou a mudar práticas pararecebimento de trabalhos em diversas instituições de ensino superior.

"Eu me sinto regredindo à 'idade da pedra', mas, infelizmente, tornou-se uma prática necessáriaporque o aluno não quer pensar", ironiza o coordenador do curso de Ciências da Computação daFaculdade Alagoana de Administração (FAA), Valdick Sales, ao informar que passou a exigirtrabalhos manuscritos de seus alunos, como uma das alternativas para fazer frente ao problema.

"Em 2005, a Universidade Federal do Rio de Janeiro também estipulou como exigência para entrega de trabalhos que eles viessem manuscritos. Não é a solução, mas, pelo menos faz o aluno pensar", endossa o professor doutor Nelso Rodrigues Abreu, titular da disciplina Gestão de Recursos Humanos da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade Federal de Alagoas (Ufal).

Foi dele a sugestão para que a instituição adotasse um programa para "farejar", entre ostrabalhos dos alunos, cópias de textos que circulam pela internet, o qual tomou conhecimento numa universidade de Minas Gerais, que já tinha recorrido ao programa para enfrentar o problema.

A sugestão levou a uma exigência paradoxal - igualmente motivada pela tentativa de combater o plágio: a de que os trabalhos sejam entregues apenas em meio eletrônico, como disquete, parapossibilitar a aplicação das ferramentas de varredura do programa.
A adoção de um programa exclusivo para combater plágio mostra a preocupação do segmento docente com a extensão do problema.

De tão disseminado até já recebeu o apelido familiar das teclas de atalho com que se executa asfunções de copiar um texto de qualquer ponto e colá-lo onde quer que se queira - hoje o pesadelo de coordenadores de cursos superiores, diretores de faculdades, mas, sobretudo, de professoresque orientam trabalhos de conclusão de curso -, responde pelo nome de "control C control V".

CERTEZA DE IMPUNIDADE FAVORECE PRÁTICA

No Ensino Médo, preocupação dos professores aumentou quando identificaram alunos com o mesmo tipo de trabalhos e erros.

por Felipe Farias, Gazeta de Alagoas (Cidades D7), 19 de agosto de 2007.

No ano passado, a Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Ufal detectou cinco casos de alunos que recorreram à prática do plágio para se formar. O episódio foi administrado com sigilo: os plageadores foram reprovados à época, mas três estão para se formar. "Decidimostomar uma posição mais educativa", justifica o então diretor, Anderson de Barros Dantas,daíporque eles tiveram uma nova oportunidade.

Há cerca de dois anos, houve episódio semelhante no curso de Comunicação Social do Centro deEstudos Superiores de Maceió (Cesmac) - também tratado com sigilo. "E uma postura individual, mas o aluno que recorre a isso tem de ter noção que mais cedo ou mais tarde aquele trabalho que ele assinou como seu será flagrado, porque a facilidade de acesso que ele teve as outras pessoas também têm", disse a professora Cristina Britto, coordenadora do curso de Comunicação Social do Cesmac.

De acordo com os responsáveis, a atitude não chega a se configurar numa "praga" - a incidêncianão passaria de 5%. Mas, se a missão da instituição é educar, deve ser combatida.
"O professor deve acompanhar o aluno desde o começo do curso; o que aumenta sua responsabilidade.

Ele tem de fazer ver ao aluno que ele está ali para aprender, não para tirar nota; a nota é umaconsequência", diz Nelsio Rodrigues, da faculdade de Economia da Ufal.

A responsabilidade e a apreensão recaem sobre a figura do orientador do trabalho de conclusão de curso (TCC). É ele que acompanha o aluno desde a escolha do tema sobre o qual quer desenvolver até o momento em que apresenta seu TCC para a banca examinadora.

Para Nelsio, um problema como esse com um aluno envolve o orientador, já que coube a eleacompanhar todas as fases da elaboração do TCC. "É o nome dele que vai constar lá"."A responsabilidade cabe ao orientador, mas, muitas vezes, sem recursos tecnológicos, ele não tem como fazer frente a isso. Além do mais, há casos de professores com sete a dez alunos comtrabalhos de conclusão de curso para apresentar e que geralmente, só escolhem o orientador nos três últimos meses do curso", explica Anderson de Barros Dantas.

Segundo ele, parte do problema se dá pela certeza da impunidade: o aluno saber que não será pego.

Para os educadores, além de possibilitar acesso a uma infinidade de informações, a Internet também dá origem à "preguiça de pensar".

Mas, é no ensino médio que a busca pelo "caminho mais fácil" adquire contornos mais flagrantes.Eles não têm nem o trabalho de diagramar", diz o coordenador do ensino médio do Colégio Inei, Luiz António Corrêa.

Segundo ele, a preocupação aumentou quando os professores identificaram alunos com o mesmo tipo de trabalho e de erros. "Quando se passa algum texto da internet para a impressão, às vezes o gráfico fica fora das margens, os textos saem incompletos", relata.

Para ele, o problema está na má utilização dos recursos benéficos da Internet, uma biblioteca mais completa que as demais. "Se ele fizesse o trabalho e estivesse aprendendo, seria positivo. Em vez de levar horas para aprender com os métodos convencionais de produzir os trabalhos,ele faz o trabalho em quinze minutos e não aprende nada. Para isso, internet não é interessante".

Por isso, a escola mudou sua metodologia: em vez de trabalhos trazidos prontos de casa, pesquisa sobre temas específicos debatidos em sala de aula e, sobretudo, ènfase na redação, para inventivá-lo a desenvolver a habilidade de se expressar, mesmo em temas de outras disciplinas.