2 de mar. de 2025

Alucinações ainda hoje nas pesquisas com IA generativa?

Infelizmente, ainda hoje, quando você faz uma busca de informação na Internet, os resumos gerados por IA que o Google proporciona continuam sendo pouco confiáveis. Apesar de parecer verdadeiros, devem ser lidos com muito cuidado.

As alucinações geradas por IA não são um tema novo, mas aqui vou focalizar nos resumos que o Google pode gerar quando você faz uma pesquisa no seu buscador on-line.

Esses resumos podem ajudar na obtenção de alguma informação rápida, mas com demasiada frequência percebo que quando faço uma pesquisa de algum termo ou assunto específico, as respostas possuem alguma informação que não é verídica ou correta. 

Vou dar um exemplo. Recentemente fiz uma pesquisa rápida sobre métodos e abordagens no ensino de línguas antes de dar uma aula e o resumo que apareceu, acompanhado de uma lista, tinha um elemento incorreto.

O perigo está em que diante dos olhos de um estudante essa mesma informação poderia parecer totalmente correta.

Vou ser muito sincero. Isso me deixa muito preocupado. Considero que é melhor ter uma informação insuficiente, pois sempre será possível procurar mais em outras fontes, que o problema que representa que o Google proporcione uma informação falsa que acreditamos que seja verdadeira. 

É verdade que na parte inferior do texto resumo aparece uma advertência de que a IA é experimental e pode conter erros, mas como o estudante vai saber que não é verdadeira uma determinada parte dessa informação?

Vocês imaginam um estudante entregando um trabalho solicitado e ter que dizer que não está bem quando ele acredita que não tem nenhum problema. No final, não foi gerado pela IA? 

Todos já conhecemos alguma notícia de problemas causados em âmbitos diversos por informações falsas. A causa são as chamadas alucinações da IA generativa, que considero que são um eufemismo para algo que na realidade é uma falha nesse tipo de sistemas.  

Não quero imaginar a situação hipotética de ter que ir a uma consulta médica e o médico prescrever uma receita que diga embaixo com letras miúdas. "Atenção: esta receita pode não ser totalmente verdadeira." 

Vocês permitiriam algo semelhante? 

Sei que de fato é uma comparação exagerada, mas com ela quero incentivar uma reflexão sobre por que deveríamos permitir algo parecido em alguns campos e em outros não. A educação não é um assunto sério também, assim como a saúde? 

Talvez seja melhor procurar a informação nos livros, na Wikipédia ou em outras fontes diretamente ou utilizar outros caminhos, mas de fato, não podemos obviar que a IA generativa já está embarcada em nossos dispositivos digitais e em quase todo o que fazemos com eles, marcando presença com um constante chamado para que sejam utilizados para "solucionar nossos problemas e dessa forma poder ser mais felizes". 

"Seu complemento diário" é o slogan de uma IA como se fosse alguma vitamina. Se vamos por esse caminho, vale lembrar que é verdade que a falta de vitaminas provoca muitos problemas de saúde, mas seu excesso também (entenda-se como os problemas que pode causar o  uso acrítico das ferramentas com IA generativa). Continuemos.

Nesta mesma semana aconteceu outro caso de informação parcialmente falsa que me motivou para escrever esta breve reflexão. Eu estava rascunhando um texto sobre auto-heteroecoformação tecnológica e precisava ler rapidamente uma obra bem específica para tomar a referência bibliográfica.

Conheço algo sobre o tema e sei qual obra estava procurando, mas precisava de novo a referência completa e data, que não lembrava bem. Com esse objetivo em mente digitei na janela do Google "autoheteroecoformação + leffa" porque estava procurando os dados de um capítulo de um livro escrito por Maximina Freire e Vilson Leffa. Como o sobrenome Leffa é muito menos comum que Freire, optei por digitar o termo específico que procurava + leffa.

O resultado foi como aparece nesta imagem:


Paulo Freire e Antonio Leffa? Como assim? Eles não foram os autores do conceito.

O termo auto-heteroecoformação tecnológica foi sugerido primeiro por Maximina Freire em 2009. Ela e Vilson Leffa continuaram desenvolvendo a ideia no texto que eu estava procurando. Deixarei as duas referências no final. 

Se não conheço bem o tema e me deixo guiar por essa informação posso ser prejudicado.

Dessa forma, recomendo, mas uma vez, ter muito cuidado com as pesquisas que sejam feitas. Parecia que esse tema negativo já tinha acabado ou pelo menos reduzido, mas não é bem assim. 

Como gosto muito de Perplexity decidi fazer a mesma indagação nele. 

 

Esta imagem mostra a captura de tela com o resultado, mas a indagação completa realizada com essa plataforma pode ser vista aqui.  

Bom, pelo menos aqui não inventaram os nomes. A pesquisa não deu nomes errados para os pesquisadores Freire e Leffa. Algumas referências não são das melhores, pois para elaborar a explicação sobre o termo utiliza, por exemplo, uma entrada de um blog, mas de fato, os outros artigos são relevantes.

De qualquer maneira, nos dois exemplos, Google e Perplexity, sería necessário procurar nas referências dos textos que foram sugeridos para encontrar o texto que eu estava procurando. 

Dessa forma, voltamos para a antiga e imperiosa necessidade de contribuir no ensino e desenvolvimento em nossos alunos das estratégias de busca de textos acadêmicos com a qualidade necessária. Por exemplo, mostrar como fazer pesquisas no Google acadêmico ordenadas por relevância ou por data, como procurar quem cita quem, etc.

Fica o aviso para docentes e alunos.

Referências

FREIRE, Maximina Maria; LEFFA Vilson. J. A auto-heteroecoformação tecnológica. In: MOITA LOPES, Luiz Paulo da. (org.). Linguística Aplicada na Modernidade Recente: Festschrift para Antonieta Celani. São Paulo: Parábola, 2013, p. 59-78.

FREIRE, Maximina Maria. Formação tecnológica de professores: problematizando, refletindo, buscando... In: SOTO, Ucy; MAYRINK, Mônica Ferreira; GREGOLIN, Isadora Valencise (orgs). Linguagem, educação e virtualidade [online]. São Paulo: Editora UNESP; São Paulo: Cultura Acadêmica, 2009. https://doi.org/10.7476/9788579830174

 

27 de fev. de 2025

MEC lança Guias sobre celulares na escola

Em atenção à Lei nº 15.100/2025, o Ministério da Educação (MEC) lançou várias guias com orientações práticas para o uso de celulares em ambiente escolar. 

Os documentos abordam desafios, oportunidades e estratégias para o uso consciente dos aparelhos, incentivando o diálogo entre escolas e  familiares. 

São três as guias publicadas até agora. 

Clique nas imagens para ver os documentos.

   
 
 



4 de ago. de 2024

Legado para a época pós-pandemia na aprendizagem mediada por tecnologias

 Hoje, domingo, estava limpando algumas pastas do HD do computador e encontrei esta apresentação que gravei em vídeo para os docentes recém-empossados na minha universidade no ano de 2022, em um período pós-pandemia. O vídeo tinha ficado até agora como não listado, ou seja, não visível.

Foi uma apresentação feita a convite da Prograd e Proford da minha universidade com foco na ética e tecnologia. 

Depois de assistir de novo esse vídeo percebi que nele coloquei algumas ideias desenvolvidas na pandemia na época do ensino remoto emergencial que poderiam ser úteis ainda nos tempos atuais, por exemplo, a ideia do docente maker ter uma mentalidade de desenvolvedor de aplicativos na hora de preparar as trilhas e materiais de aprendizagem.  

Achei interessante a apresentação, e por isso a divulgo, agora neste blog.


 Desculpem o portunhol. 😉

16 de jul. de 2024

Fiz um pacto com meus alunos em relação com a IA, mas...

 

Esta semana, na primeira aula do semestre da disciplina de estágio de espanhol, estabeleci um compromisso com meus alunos ao apresentar-lhes a tarefa para a semana seguinte.

Eles devem realizar uma análise pessoal de três das dez competências gerais presentes na BNC-Formação (Brasil, 2019). Expliquei que essas competências espelham aquelas da BNCC (Brasil, 2018), porém adaptadas para professores.

Combinei com eles que nessa tarefa não seria usada a IA para produzir o texto. O valor residiria na riqueza das opiniões pessoais embasadas na leitura atenta das competências selecionadas, pois as análises e comentários seriam únicos, singulares, devido às diferentes experiências de vida e opiniões que eles possuem.

Destaquei que em caso de eu perceber que o texto fosse produzido pela IA resultaria em nota zero para essa tarefa semanal. Simples assim.

Reconheço que enfrentaremos desafios crescentes, especialmente agora, com serviços de IA que buscam "humanizar" textos (ou seja, remover pistas de que foram gerados por IA para evitar detecção de plágio). No entanto, tenho me familiarizado com chatbots e suficientes exemplos de textos gerados por IA que eu e outros professores temos recebido dos alunos, como para poder reconhecer esses padrões. 

Em última análise, meu objetivo com o "pacto" foi incentivar um senso de responsabilidade e tentar mitigar a dependência crescente de alguns alunos em relação à IA. Percebo que alguns são novatos no assunto, enquanto outros já são especialistas no uso da IA.

De qualquer forma, ao longo do semestre, exploraremos várias possibilidades da IA para outras tarefas específicas, que sempre serão baseadas em evidências - incluindo o compartilhamento dos links de conversas geradas com os chatbots. No entanto, neste caso inicial, a tarefa foi uma reflexão pessoal sem o auxílio dessas ferramentas.

Na mesma aula aconteceu um fato meio paradoxal e engraçado. Em uma dinâmica que organizei para classificar características como pertencentes a aulas antigas ou modernas, surgiu o termo "rubricas de avaliação". Ao perceber que não estavam familiarizados com o termo, sugeri que pesquisassem sobre ele para a próxima aula, utilizando Perplexity, um dos chatbots que costumo apresentar e usar com os alunos. 

Devemos pensar que neste segundo caso, também existe uma intencionalidade pedagógica clara por minha parte quando recomendei o uso específico de um recurso. Eu sei o que o Perplexity costuma gerar nessa indagação específica.

Como podem perceber neste breve relato, não estou ignorando a IA, mas sim focando em usos específicos e resultados concretos e compartilháveis que serão discutidos com os alunos. Além disso, reconheço a importância de incorporar diretrizes específicas sobre IA nos contratos didáticos estabelecidos entre professores e alunos.

Esta é uma decisão pessoal, mas sinto falta de poder discutir esses temas complexos com meus colegas. A verdade é que ainda não tivemos oportunidades para isso, o que é lamentável, pois parece que estamos desamparados nessas questões. Além disso, sinto falta de diretrizes claras da universidade sobre o uso de IA na educação universitária. 

Mais tarde, compartilharei como foi essa experiência.

15 de fev. de 2024

Exame Online de Proficiência Leitora (inglês ou espanhol) para pós-graduandos

 

Imagem: Charlotte May - Pexels

Estão abertas as inscrições para a primeira aplicação do Exame Online de Proficiência Leitora (PROLEITURA) no semestre 2024.1 organizado pela Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA)

Os exames serão realizados de maneira remota nas seguintes datas:

2° - aplicação: 23 de fevereiro
3° - aplicação: 22 de março
4° - aplicação: 26 de abril
5° - aplicação: 31 de maio
6° - aplicação: 26 de julho

A taxa de inscrição no PROLEITURA é de 75 reais para alunos da Universidade Federal Rural do Semi-Árido. Para as demais pessoas interessadas, a taxa de inscrição é de 150 reais.

O PROLEITURA oferece certificação de proficiência em leitura acadêmica em língua inglesa e espanhola desde 2019, certificando mais de 2000 alunos de pós-graduação.

O PROLEITURA é composto por dois textos de divulgação científica na língua alvo do exame e 16 questões, sendo 14 questões de múltipla escolha e duas questões dissertativas que requerem respostas curtas em relação a informações nos textos. Todo o exame é elaborado na língua portuguesa e as perguntas dissertativas podem ser respondidas em português ou na língua alvo do exame.

Minha opinião é que, na realidade, todos os futuros professores de línguas estrangeiras deveriam conhecer e fazer os dois simulados ou pelo menos aquele da língua que estudam, pois responder as perguntas e refletir sobre os processos realizados será muito interessante e útil para qualquer docente.

Estes são os links diretos dos simulados:

1- Espanhol. https://forms.gle/Bwx7W59kphhD5d3d8
2- Inglês. https://forms.gle/5GmzuEbpnZkwRzTB7

Mais informações em:
https://celis.ufersa.edu.br/inscricao-proleitura/ 

 

10 de set. de 2023

Dicas para falar para as crianças sobre o ChatGPT e IA

Collage produzido com imagem gerada pelo DALL-E2
 
 
Aqui estão seis dicas essenciais do MIT Technology Review sobre como começar a dar ao seu filho uma educação em IA. Serve também para os professores. 

Como achei interessante fiz esta tradução.

1. Não se esqueça: a IA não é sua amiga

 
Os chatbots são construídos para fazer exatamente isso: conversar. O tom amigável e coloquial que o ChatGPT adota ao responder perguntas pode fazer com que os alunos esqueçam facilmente que estão interagindo com um sistema de IA, e não com um confidente de confiança. Isto poderia aumentar a probabilidade de as pessoas acreditarem no que estes chatbots dizem, em vez de tratarem as suas sugestões com ceticismo. Embora os chatbots sejam muito bons em parecer um ser humano solidário, eles apenas imitam a fala humana a partir de dados extraídos da Internet, diz Helen Crompton, professora da Old Dominion University especializada em inovação digital na educação.

“Precisamos lembrar as crianças de não fornecerem informações pessoais confidenciais a sistemas como o ChatGPT, porque tudo isso vai para um grande banco de dados”, diz ela. Depois que seus dados estão no banco de dados, torna-se quase impossível removê-los. Ele poderia ser usado para gerar mais dinheiro para empresas de tecnologia sem o seu consentimento, ou poderia até mesmo ser extraído por hackers.

2. Os modelos de IA não substituem os mecanismos de pesquisa

 
Grandes modelos de linguagem são tão bons quanto os dados com os quais foram treinados. Isso significa que, embora os chatbots consigam responder perguntas com textos que podem parecer plausíveis, nem todas as informações que eles oferecem serão corretas ou confiáveis. Os modelos de linguagem de IA também são conhecidos por apresentar informações falsas como se fosse fatos verdadeiros. E dependendo de onde esses dados foram recolhidos, podem perpetuar preconceitos e estereótipos potencialmente prejudiciais. Os alunos devem tratar as respostas dos chatbots como deveriam tratar qualquer tipo de informação que encontrem na internet: de forma crítica.

“Essas ferramentas não são representativas de todos – o que elas nos dizem é baseado naquilo em que foram treinados. Nem todo mundo está na Internet, então isso não será refletido”, diz Victor Lee, professor associado da Escola de Pós-Graduação em Educação de Stanford, que criou recursos gratuitos de IA para currículos do ensino médio. “Os alunos devem fazer uma pausa e refletir antes de clicarmos, compartilharmos ou repassarmos e sermos mais críticos em relação ao que vemos e em que acreditamos, porque muito disso pode ser falso.”

Embora possa ser tentador confiar em chatbots para responder a perguntas, eles não substituem o Google ou outros mecanismos de pesquisa, diz David Smith, professor de educação em biociências na Universidade Sheffield Hallam, no Reino Unido, que está se preparando para ajudar seus alunos no conhecimento dos usos da IA para ajudar no próprio aprendizado. Os alunos não deveriam aceitar tudo o que os grandes modelos de linguagem dizem como um fato indiscutível, diz ele, acrescentando: “Qualquer que seja a resposta que eles lhe derem, você terá que verificá-la”.

3. Os professores podem acusar você de usar uma IA quando você não o fez

 
Um dos maiores desafios para os professores agora que a IA generativa alcançou as massas é trabalhar quando os alunos usam a IA para escrever as suas tarefas. Embora muitas empresas tenham lançado produtos que prometem detectar se o texto foi escrito por um ser humano ou por uma máquina, o problema é que as ferramentas de detecção de texto de IA não são confiáveis e é muito fácil enganá-las. Tem havido muitos exemplos de casos em que os professores presumem que uma redação foi gerada pela IA, quando na verdade não foi.

Familiarizar-se com as políticas de IA da escola do seu filho ou com os processos de divulgação de IA (se houver) e lembrar seu filho da importância de cumpri-los é um passo importante, diz Lee. Se o seu filho foi injustamente acusado de usar IA em uma tarefa, lembre-se de manter a calma, diz Crompton. Não tenha medo de contestar a decisão e perguntar como ela foi tomada, e sinta-se à vontade para apontar os registros que o ChatGPT mantém das conversas de um usuário individual se precisar provar que seu filho não levantou o material diretamente, acrescenta ela.

4. Os sistemas de recomendação são projetados para fisgá-lo e podem mostrar coisas ruins

 
É importante compreender e explicar às crianças como funcionam os algoritmos de recomendação, diz Teemu Roos, professor de ciências da computação na Universidade de Helsínque, que está desenvolvendo um currículo sobre IA para escolas finlandesas. As empresas de tecnologia ganham dinheiro quando as pessoas assistem a anúncios em suas plataformas. É por isso que desenvolveram algoritmos de IA poderosos que recomendam conteúdo, como vídeos no YouTube ou TikTok, para que as pessoas fiquem fisgadas e permaneçam na plataforma o maior tempo possível. Os algoritmos rastreiam e medem de perto os tipos de vídeos que as pessoas assistem e, em seguida, recomendam vídeos semelhantes. Quanto mais vídeos de gatos você assistir, por exemplo, maior será a probabilidade de o algoritmo pensar que você deseja ver mais vídeos de gatos.

Esses serviços tendem a orientar os usuários para conteúdos prejudiciais, como a desinformação, acrescenta Roos. Isso ocorre porque as pessoas tendem a se concentrar em conteúdos estranhos ou chocantes, como desinformação sobre saúde ou ideologias políticas extremas. É muito fácil ser jogado na toca do coelho ou preso em um laço, então é uma boa ideia não acreditar em tudo que você vê online. Você também deve verificar as informações de outras fontes confiáveis.

5. Lembre-se de usar IA com segurança e responsabilidade

 
A IA generativa não se limita apenas a texto: existem muitos aplicativos deepfake gratuitos e programas da web que podem impor o rosto de alguém no corpo de outra pessoa em segundos. Embora os estudantes de hoje provavelmente tenham sido alertados sobre os perigos de compartilhar imagens íntimas online, devem ser igualmente cautelosos ao carregar rostos de amigos em aplicações desse tipo – especialmente porque isso pode ter repercussões legais. Por exemplo, os tribunais consideraram os adolescentes culpados de espalhar pornografia infantil por enviarem material explícito sobre outros adolescentes ou até sobre eles próprios.

“Temos conversas com crianças sobre comportamento on-line responsável, tanto para sua própria segurança quanto para não assediar, "doxx" ou "catfishing" qualquer outra pessoa, mas também devemos lembrá-las de suas próprias responsabilidades”, diz Lee. “Assim como rumores desagradáveis se espalham, você pode imaginar o que acontece quando alguém começa a divulgar uma imagem falsa.”
 
*doxxing = significa divulgar informações privadas de uma pessoa para assediar, ameaçar ou se vingar dela.
*catfish = a prática de pessoas que criam perfis com informações e fotos falsas na internet para enganar emocional e/ou financeiramente suas vítimas.


Também ajuda a fornecer às crianças e adolescentes exemplos específicos dos riscos legais ou de privacidade do uso da Internet, em vez de tentar falar com eles sobre regras ou diretrizes abrangentes, salienta Lee. Por exemplo, explicar-lhes como as aplicações de edição facial de IA podem reter as imagens que carregam, ou apontar-lhes notícias sobre plataformas que estão sendo pirateadas, pode causar uma impressão maior do que avisos gerais para “ter cuidado com a sua privacidade”, diz ele.


6. Não esqueça o que a IA realmente faz de bom

 
Nem tudo é desgraça e tristeza. Embora muitas das primeiras discussões sobre IA na sala de aula girassem em torno de seu potencial como uma ajuda para trapacear, quando usada de forma inteligente, pode ser uma ferramenta extremamente útil. Os alunos que têm dificuldade para entender um tópico complicado podem pedir ao ChatGPT que o descreva passo a passo, ou para reformulá-lo como um rap, ou para assumir a personalidade de um professor especialista em biologia para permitir que testem seus próprios conhecimentos.  Também é excepcionalmente bom para elaborar rapidamente tabelas detalhadas para comparar os prós e contras relativos de certas faculdades, por exemplo, que de outra forma levariam horas para serem pesquisadas e compiladas.

Pedir a um chatbot glossários de palavras difíceis, ou para praticar questões de história antes de um questionário, ou para ajudar um aluno a avaliar as respostas depois de escrevê-las, são outros usos benéficos, aponta Crompton. “Desde que nos lembremos do preconceito, da tendência para alucinações e imprecisões e da importância da literacidad digital – se um aluno a utiliza da forma correta, isso será óptimo”, diz ela. “Estamos todos descobrindo à medida que avançamos.”
 
Referência original:  Williams, Rhiannon; Heikkilä, Melissa . You need to talk to your kid about AI. Here are 6 things you should say. MIT Technology Review, September 5, 2023. https://www.technologyreview.com/2023/09/05/1079009/you-need-to-talk-to-your-kid-about-ai-here-are-6-things-you-should-say
 
versão em espanhol: Consejos del MIT de cómo hablar a los niños sobre el ChatGPT y la IA  https://gonzaloabio-ele.blogspot.com/2023/09/consejos-del-mit-de-como-hablar-los.html