19 de set. de 2013

Nove em cada dez brasileiros acham que escola integral é necessária

Uma pesquisa nacional feita pelo Datafolha revelou que nove em cada dez brasileiros consideram escola em período integral necessária para a educação das crianças. O levantamento, feito com 2.060 pessoas, tem margem de erro de dois pontos. Apesar da grande aceitação, mais de 1/3 dos entrevistados desconhece educação integral: ao todo, 36,3% nunca tinham ouvido falar nessa modalidade. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.

O Datafolha definiu "educação integral" como "escolas em que os alunos ficam mais horas por dia, com atividades diversificadas". Apesar de estar prevista no PME (Programa Mais Educação), de 2007, a escola integral é rara no País - a maioria das escolas tem dois turnos. Espontaneamente, parte dos entrevistados faz associação do estudo integral com melhora da educação (34%), ocupação do tempo livre (30%) e redução de criminalidade e de violência (23%).

fonte: Terra Educação, 19 de Setembro de 2013

Ver também: Guia mostra 'caminhos das pedras' para a educação integral no País

27 de jun. de 2013

Mais da metade dos alunos do 3º ano do ensino fundamental são analfabetos funcionais, diz pesquisa

Mais da metade (55,4%) dos alunos do 3º ano do ensino fundamental no país não leem e não interpretam um texto de forma correta, segundo informações da 2ª Avaliação Brasileira do Final do Ciclo de Alfabetização, a Prova ABC, divulgada hoje (25) pelo movimento Todos pela Educação. Os dados mostram que 44,5% dos estudantes atingiram pontuação acima do nível 175, que indica proficiência adequada em leitura. O 3º ano é a série considerada limite para a alfabetização, segundo o Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (Pnaic).

A avaliação, que segue a escala do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), foi aplicada no final de 2012 e teve a participação de 54 mil alunos de 1.200 escolas públicas e privadas distribuídas em 600 municípios brasileiros. Metade da amostra é composta por alunos do 2º ano do ensino fundamental e o restante por estudantes do 3º ano. Além da proficiência em leitura, a pesquisa testou também habilidades em escrita e matemática. A Prova ABC é uma parceria do Todos pela Educação com a Fundação Cesgranrio, o Instituto Paulo Montenegro e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

`Ainda estamos abaixo dos 50% em leitura, escrita e matemática em relação a todas as crianças que precisam e têm o direito de ter essas competências básicas nos três primeiros anos do ensino fundamental`, avaliou Priscila Cruz, diretora executiva do Todos pela Educação. Ela diz que essa deficiência na etapa inicial compromete o aprendizado das crianças nos anos seguintes. `O foco nesses primeiros anos é estratégico para a gente garantir o direito ao aprendizado mais na frente. Se a gente não consegue corrigir isso no berço do problema, a gente não vai conseguir avançar na educação`.

Na comparação por região, o quesito leitura teve pior resultado na Região Norte, onde 27,3% dos alunos do 3º ano tiveram avaliação acima de 175 pontos. Ao atingir essa pontuação, os estudantes conseguem identificar temas de uma narrativa, localizar informações explícitas, identificar características de personagens em textos e perceber relações de causa e efeito contidas nessas narrativas. A maior parte dos alunos dessa região (40,9%) não alcançou 125 pontos.

O Nordeste (30,7%) também apresentou resultado de proficiência adequada em leitura abaixo da média nacional. Mais de um terço dos nordestinos (38,4%) fez menos de 125 pontos. O melhor percentual foi verificado no Sudeste (56,5%), seguido pelo Sul (51,2%) e Centro-Oeste (47,8%). O Todos Pela Educação destaca que, ao obter o nível adequado de proficiência, mais do que aprender a ler, os alunos demonstram que têm condições de ler para seguir aprendendo nos anos seguintes.

As diferenças entre os estados nesse item são ainda maiores. São Paulo (60,1%), Minas Gerais (59,1%) e Distrito Federal (55%) apresentam o maior percentual de alunos que atingiram mais de 175 pontos em leitura. Os piores resultados, por outro lado, foram registrados em Alagoas (21,7%), Pará (22,2%) e Amapá (22,8%). Em Alagoas, mais da metade (50,6%) dos alunos não atingiu 125 pontos.

Para Priscila, esses resultados apontam que as políticas públicas em educação devem estar voltadas com mais vigor para as regiões Norte e Nordeste. `Temos que dar mais para quem tem menos. São regiões que precisam ter mais recursos, mais monitoramento, mais apoio técnico e políticas específicas também. Temos que superar uma fase de que o mesmo remédio serve para tudo. Só assim vamos conseguir qualidade com mais equidade também`, propôs.

Para avaliar as habilidades em escrita, alunos que participaram da Prova ABC fizeram também uma redação. Com uma escala de 0 a 100 pontos, a correção avaliou três competências: adequação ao tema e ao gênero; coesão e coerência; e registro, que inclui grafia das palavras, adequação às normas gramaticais, segmentação de palavras e pontuação. Apenas 30,1% dos alunos do país apresentaram o desempenho esperado, que é acima de 75 pontos.

A diretora executiva avalia que a disparidade de resultados entre o quesito leitura e escrita revela uma maior ênfase, por parte das escolas, no letramento. `O ensino está mais voltado para a leitura, interpretação do que para a escrita. A gente precisa correr atrás disso. O ler para aprender inclui essa escrita para aprender também. Se a gente não tiver a criança plenamente capaz e autônoma nessa parte básica, ela também tem dificuldade de aprender outros conhecimentos`, diz.

Entre as regiões, o Sudeste (38,8%) também apresentou o melhor resultado no item escrita, seguido pelo Centro-Oeste (36,2%) e pela Região Sul (36%). Norte (16,1%) e Nordeste (18,9%) ficaram novamente abaixo da média nacional. Nessas duas regiões, a maioria dos estudantes não alcançou 50 pontos: 58,1%, no Norte e 55,5%, no Nordeste. Os estados com maior percentual foram Goiás (42%), Minas Gerais (41,6%) e São Paulo (39,3%).

O Todos pela Educação monitora cinco metas relacionada à educação que foram definidas pelo movimento para serem alcançadas até 2022. A Prova ABC avalia a meta de número 2, pela qual toda criança deve estar plenamente alfabetizada até os 8 anos. De acordo com a organização, essa será a última edição da prova, pois o Ministério da Educação adotará um instrumento próprio, a Avaliação Nacional da Alfabetização (Ana), para monitorar esses resultados.

fonte: Camila Maciel - Agência Brasil, Brasília, DF.
adta: 25/06/2013
URL: http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-06-25/mais-da-metade-dos-alunos-do-3%C2%BA-ano-do-ensino-fundamental-sao-analfabetos-funcionais-diz-pesquisa

21 de jun. de 2013

A base curricular comum está mais próxima de chegar às escolas brasileras

Aleluia!! Alguém percebeu que para exigir qualidade na educação nacional tem primeiro que organizar a educação nacional!!

Não vou comentar nada, apenas leiam a notícia "MEC vai elaborar uma base curricular comum para as escolas brasileiras".

Se não sabemos muito bem para quê deveriam "mexer" nas velhas e conhecidas Diretrizes Curriculares Nacionais, convido que leiam este texto de 2010 "A Educação Básica precisa de um currículo mínimo?"

6 de mar. de 2013

"Caminhos para uma escola alfabetizadora"


Você é professor alfabetizador? Têm dúvidas sobre como levar adiante a alfabetização? Quer conhecer dicas de outros educadores/

Acredito que as matérias que preparou a revista Nova Escola podem ajudar você nessa importante tarefa.

Veja "Caminhos para uma escola alfabetizadora"

15 de fev. de 2013

Enfim uma boa notícia de Alckmin

O governo Alckmin é uma sucessão de notícias ruins, especialmente na questão da segurança. Mas, agora, ele está prestes a anunciar uma boa notícia: os resultados de uma experiência educacional em sua gestão. E, certamente, uma notícia de repercussão nacional entre educadores.

No ano passado, ele testou um modelo de educação em tempo integral em 16 escolas. Nelas, além do currículo mais arejado e estímulo ao protagonismo dos alunos, os professores passaram a ganhar uma valor extra em seu salário ( 75%) com uma condição: deveriam ter dedicação exclusiva. Além disso, a escola tem o direito de remanejar os professores que não estejam funcionando de acordo com as expectativas.

Foi realizada uma avaliação no ano passado em que os alunos demonstraram uma expressiva --em torno de 40%-- de melhoria em português e matemática. Descobri que essa tendência se confirmou na prova de avaliação da rede estadual (Saresp), que será divulgada no final de março.

Neste ano, mais 69 escolas entrarão nesse sistema de educação em tempo integral --e, no próximo, mais 148 escolas.

Ainda falta muito, claro. Mas é uma luz no fim do túnel. Alunos que ficam mais tempo em sala de aula, currículo mais próximo do cotidiano, professores com salários melhores e com dedicação exclusiva. Some-se a isso avaliação do mérito do professor e os estímulos para que os alunos sejam protagonistas. Nessas escolas, as atividades culturais são comandadas pelos alunos, organizados em grêmios.

É o feijão com arroz que dá certo em qualquer lugar do mundo. O que tem de fazer é universalizar no Brasil.

fonte: Folha de São Paulo, 15/02/2013.
autor: Gilberto Dimenstein
URL: http://www1.folha.uol.com.br/colunas/gilbertodimenstein/1231062-enfim-uma-boa-noticia-de-alckmin.shtml

29 de dez. de 2012

Educação: revolução pela inércia?


O novo Plano Nacional de Educação, em debate no Congresso, foi recebido com muitas críticas, que tratam da alegada inutilidade da expansão de gastos prevista. O artigo publicado na revista Ciência Hoje (edição 299, dezembro de 2012) contesta essas críticas  e defende políticas de investimento na qualidade do ensino brasileiro. Para os autores, as deficiências educacionais exigem ação imediata, o que depende da destinação de mais recursos para a educação no Brasil.

http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/2012/299/pdf_aberto/educacao299.pdf/at_download/file

29 de ago. de 2012

Facebook, o Diário de Classe e Isadora Faber. Canal de comunicação ou perigo?

As redes sociais servem para movilizar pessoas para muitas causas. Neste caso quero compartilhar com vocês uma notícia aparecida na seção de educação do Estadão e vejam como a  jovem Isadora Faber utiliza o Facebook para registrar o que acontece na sua escola, em uma versão de diário ou jornal escolar, mas com uma abrangência e poder de movilização muito maior.



 O tema pode até ser polémico, mas quantos jovens como Isadora não deve ou deveria haver por aí?

27 de ago. de 2012

Quantas horas são necessárias para preparar um curso virtual?

Nos comentários finais de um trabalho apresentado em 2008 fiz um cálculo empírico de que um professor-autor (conteudista) de um curso universitário feito no padrão da UAB (Universidade Aberta do Brasil) precisaria de não menos de seis horas de trabalho por cada hora de aula colocada no Moodle. Naquele momento eu estava pensando apenas como um professor-autor polivalente que seria responsável por práticamente quase todo o processo de criação de conteúdos para um curso on-line ainda com  predomínio de material textual. Isso não era novidade, mas fiz o comentário motivado principalmente pelo desconhecimento e pela percepção de alguns colegas de que preparar um curso a distância seria simplesmente convertir em pdf os materiais e apostilas que já utilizavam nos cursos presenciais.   

Em um curso na minha universidade ministrado neste ano para docentes que atuarão na EaD houve a percepção, motivada também de forma empírica pelas dificuldades aparecidas na realização das tarefas que simulavam uma prática real de criação de um curso, que o número de horas seria muito maior que aquela cifra pensada em 2008.

Hoje, via XarxaTIC, soube de que, segundo LeanForward, para preparar cada hora de aula de um curso de qualidade interativo seriam necessárias nada menos que duzentas horas de trabalho, as quais que estariam repartidas entre o gerente de projetos (10-12h), o designer instrucional (60-80h), o designer multimídia (20-40h), o desenvolvedor do curso (60-80h) e o responsável por cuidar da qualidade do produto final (10-20h).

Nesse momento lembrei do conceito de polidocência na EaD, que MILL (2002) define como o trabalho de forma coletiva e cooperativa de toda uma equipe de profissionais necessário para realizar as atividades de ensino-aprendizagem na educação a distância.

Tenho constatado que em algumas instituições existem equipes completas trabalhando de forma articulada para fornecer cursos de qualidade, mas por outro lado, também tenho constatado que não é assim em todos os lugares. Como comentava o autor de XarxaTIC, se partimos de um planejamento e implementação de pouca qualidade, como conseguiremos que o e-learning seja igual de válido que o ensino presencial, para atrair tanto os alunos quanto muitos professores que não acreditam ainda que aulas possam ser dadas ou continuadas com qualidade fora das paredes físicas das salas de aula do campus?  

Este foi o infográfico produzido pela Leanforward:
What Does It Take To Create Effective e-Learning - Infographic


Considero que todos os participantes na elaboração do curso são importantes, pois quanto mais material multimídia e interativo tiver o curso (e sem falhas), poderá ser menor a percepção da distância transacional entre alunos e professores, mas  também é muito importante a dedicação e o tempo dispensado pelo docente e tutores na hora de colocar em prática o curso e interagir com os alunos. Na prática, esse momento do curso é fundamental. Deve-se ter em consideração que com o surgimento e proliferação na atualidade dos cursos MOOCs (Massive Open Online Courses ou Cursos Online Abertos Massivos) deve haver um esforço adicional, tanto na atenção na preparação dos cursos quanto para seu fornecimento e colocação em prática, agora para miles de estudantes. Por isso, todas estas questões cobram uma importância ainda maior que a que já tinham até agora.

Para finalizar e voltando para o assunto inicial, aproveito para recomendar a leitura do livro "Polidocência na Educação a Distância Múltiplos Enfoques" organizado por Daniel MILL; Luis Roberto de Camargo RIBEIRO e Marica Rozenfeld Gomes de OLIVEIRA (Edufscar, 2010), mas também podem ver, por enquanto, este artigo com participação do primeiro desses autores. MILL, Daniel; FIDALGO, Fernando. Sobre tutoria virtual na educação a distância: caracterizando o teletrabalho docente. Virtual Educa Brasil, 2007.