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27 de mai. de 2026

Letramento visual e letramento em prompt. Uma proposta de atividade "invertida"

 

Gerar imagens hiper-realistas com inteligência artificial atingiu um nível de qualidade impressionante em 2026, onde é difícil distinguir fotos reais de criações digitais. Essas ferramentas utilizam modelos generativos avançados para transformar descrições de texto (prompts) em visuais detalhados.

Como docente interessado nas tecnologias tento acompanhar esses avanços no campo da geração de imagens, -seja de imagens hiper-realistas ou a capacidade de criar textos multimodais, como são os infográficos-, mas confesso que na maioria das vezes não fico feliz com os resultados gerados e me decanto pelo uso de imagens reais ou montagens que faço com elas. 

Estou um pouco cansado de ver imagens de pessoas com três braços, cavalos ou vacas com cinco patas, meninos voando em lugar de ir correndo ou caminhando e isso sem falar do SLOP, o lixo digital que é gerado aos montes com apenas alguns cliques e que casualmente é o chamariz de alguns destes sistemas criados pelas grandes empresas de tecnologia (exemplo: "crie um elefante rosa voando" ou "um pinguim rastafári bebendo água de coco em uma praia de Alagoas").

Na criação de infográficos é verdade que podem ajudar esses sistemas, mas geralmente termino eu refazendo tudo, porque em algum detalhe da imagem existe uma falha, principalmente quando envolve textos.

Para não estender as coisas, vou propor com este comentário algo pouco convencional. Primeiro, vou lançar uma proposta para vocês e se tenho algum retorno continuarei aprofundando nas possibilidades e aumentando os comentários. Pode ser?

Observe a imagem que está no início deste post. Ela ilustra uma notícia que vi ontem sobre o novo piso salarial dos professores. 

Não é minha intenção informar a procedência dessa imagem agora, nem detalhes da notícia, pois não é objetivo neste momento e também porque não seria nada difícil localizá-la utilizando, por exemplo, o Google Lens.

Estas são as perguntas que quero que respondam: 

1- Qual é sua opinião e avaliação geral dessa imagem? Pode comentar algo que você não gostou ou tentaria fazer diferente?

2- Agora diga qual poderia ter sido o prompt utilizado pelo autor para o chatbot gerar essa imagem?

Isto, como podem ver, é um exercício de "pensamento inverso" que tentarei fazer com meus alunos universitários, futuros docentes, provavelmente em duplas, visando duas finalidades: aumento do letramento visual (crítico?) e aumento do letramento em prompt. Observem que, neste caso, analisamos o produto para tentar imaginar o prompt utilizado. 

Podem ser utilizadas outras imagens, de acordo como perfil e interesses de seus alunos.

Caros docentes, vocês analisam e discutem com seus alunos as imagens e textos gerados com IA por eles ou que encontram na Internet?

Gostaria de ver seus comentários. 

18 de mar. de 2026

Protocolo "PPCCDD" para uma pedagogia enriquecida pela IA

Como docente, você já deve ter feito perguntas para algum chatbot de sua preferência para resolver alguma necessidade imediata, seja planos de aulas, dúvidas específicas, listas de vocabulário; atividades, análise de textos, produção de imagens, infográficos, etc. 

Não sei se com você acontece igual, mas com demasiada frequência tenho a impressão que as respostas proporcionadas pelos chatbots deixam um pouco a desejar. Olhando superficialmente, a resposta parece correta e adequada, o produto pode ser até suficiente, mas se você lê com atenção, analisando o texto gerado, percebe que falta algo ou poderia ser melhor.

Ontem mesmo tive dois exemplos frustrantes: um deles gerando um resumo de um capítulo de livro que uso nas aulas, e outro, gerando uma imagem para ilustrar um guia didático, mas em outro momento talvez apresente o que aconteceu com esses exemplos. 

Os gurus da Internet costumam dizer que o problema está no prompt utilizado, mas depois de vários anos trabalhando e resenhando os avanços da IA na educação  e, ao mesmo tempo, falando da IA com meus alunos, me considero uma pessoa com alguma experiência nesse assunto e com um letramento em prompt de mediano para cima.

Pensando nesse assunto, principalmente desde um ponto de vista didático, proponho um protocolo para o trabalho com os resultados gerados pelos chatbots no âmbito escolar, mas que também poderia ser de utilidade em nossa vida em geral.

Este é o protocolo proposto: 

PPCCDD 

(PARE. PENSE. CONFIRA, COMPARE, DIVULGUE e DISCUTA

Não podemos aceitar imediatamente, sem mais, de forma irreflexiva, os resultados entregues pela IA. Os alunos entregam as respostas geradas pelos chatbots nas tarefas e pesquisas solicitadas pelos docentes, provavelmente sem olhar para o resultado e sem qualquer julgamento. Por isso, é válido recomendar primeiro, antes que tudo, Parar antes de enviar.

Pense. Esse resultado é o melhor possível? O que acontece se continuo interagindo com o chatbot? As respostas melhoram?

Todo chatbot e plataforma com IA avisa em letras miúdas "estes resultados podem conter erros" e, de fato, vemos muitas imprecisões e resultados falsos em algumas respostas, principalmente quando são do âmbito acadêmico. Desse tema já temos escrito outras vezes neste blog.

Isso levanta a necessidade de conferir cada referência e resultado obtido.

Qual chatbot brinda uma resposta melhor ou mais adequada para minhas necessidades? Lembre também que as respostas dependem do prompt,  da versão de chatbot utilizada, se é gratuita ou não e o grau de contextualização e número de conversas que já tivemos com esse chatbot. Por isso, é muito importante também comparar os resultados obtidos em cada condição e sistema.  

Em uma pedagogia enriquecida pela IA, podemos ver que muitos chatbots já oferecem a possibilidade de compartilhar as interações (conversas) realizadas com eles. Não estou falando apenas de copiar o resultado, senão de compartilhar a conversa por meio do link oferecido pelo próprio sistema, de forma que outro (o docente junto com os alunos?) possam conferir o caminho percorrido e até continuar o diálogo, se acharem que foi interessante ou ficaram com alguma dúvida. Isto é o que eu chamo de divulgar para os colegas do curso a evidência do ensino/interação com o chatbot empregado.

Esse passo parece simples, mas não é assim. Ele envolve uma mudança de atitude bastante profunda, porque temos enraizada uma ideia firme que o resultado do diálogo com o chatbot é muito pessoal, apenas para mim, e devemos quebrar esse ciclo em sala de aula se queremos avançar. 

Entendo que essa forte noção de "atividade oculta", muito provavelmente surgiu pelo uso instrumental e imediato dos chatbots para fazer, em segredo, as tarefas enviadas pelos professores, mas não deveria ser assim em uma pedagogia enriquecida, de fato, com os chatbots.    

Discutir está muito relacionado com divulgar, porque a partir da divulgação pelos alunos dos links com as conversas e os produtos gerados por toda a turma, o professor pode guiar a comparação e discussão dos resultados obtidos, para chegar nas conclusões ou propor novas tarefas e ajustes nos processos didáticos. 

Na reconfiguração dos processos de ensino adaptados por IA, tal como propõe o recente Referencial para Desenvolvimento e Uso Responsáveis de Inteligência Artificial na Educação (MEC, 2026, p. 89), e muitas das propostas pedagógicas enriquecidas com IA que tenho visto na literatura, o professor se redefine como um facilitador, mas também temos que reconhecer que devido à extraordinária velocidade dos avanços da IAG, todos somos aprendizes desse tema, com os docentes também incluídos.

Pesquisas informais feitas para saber o grau de conhecimento dos alunos sobre temas da IAG mostram resultados muito variados, predominando o nível baixo ou médio-baixo de domínio e experiência. Por isso, considero que é muito importante discutir estes temas com nossos alunos.   

Por último, devo dizer que este protocolo PPCCDD não nasceu por acaso, nem foi criado a partir da nada. É produto de uma reflexão minha a partir de um curso que fiz recentemente como aluno, onde tive conhecimento do protocolo PIER, de letramento informacional, adaptado para o português pelo Instituto Palavra Aberta/Educamídia (link).

O que você achou desta proposta de protocolo PPCCDD? A utilizaria com seus alunos? Tem alguma ideia ou sugestão para melhorar esta proposta?  Gostaria muito de ouvir seus comentários.