Como docente, você já deve ter feito perguntas para algum chatbot de sua preferência para resolver alguma necessidade imediata, seja planos de aulas, dúvidas específicas, listas de vocabulário; atividades, análise de textos, produção de imagens, infográficos, etc.
Não sei se com você acontece igual, mas com demasiada frequência tenho a impressão que as respostas proporcionadas pelos chatbots deixam um pouco a desejar. Olhando superficialmente, a resposta parece correta e adequada, o produto pode ser até suficiente, mas se você lê com atenção, analisando o texto gerado, percebe que falta algo ou poderia ser melhor.
Ontem mesmo tive dois exemplos frustrantes: um deles gerando um resumo de um capítulo de livro que uso nas aulas, e outro, gerando uma imagem para ilustrar um guia didático, mas em outro momento talvez apresente o que aconteceu com esses exemplos.
Os gurus da Internet costumam dizer que o problema está no prompt utilizado, mas depois de vários anos trabalhando e resenhando os avanços da IA na educação e, ao mesmo tempo, falando da IA com meus alunos, me considero uma pessoa com alguma experiência nesse assunto e com um letramento em prompt de mediano para cima.
Pensando nesse assunto, principalmente desde um ponto de vista didático, proponho um protocolo para o trabalho com os resultados gerados pelos chatbots no âmbito escolar, mas que também poderia ser de utilidade em nossa vida em geral.
Este é o protocolo proposto:
PPCCDD
(PARE. PENSE. CONFIRA, COMPARE, DIVULGUE e DISCUTA)
Não podemos aceitar imediatamente, sem mais, de forma irreflexiva, os resultados entregues pela IA. Os alunos entregam as respostas geradas pelos chatbots nas tarefas e pesquisas solicitadas pelos docentes, provavelmente sem olhar para o resultado e sem qualquer julgamento. Por isso, é válido recomendar primeiro, antes que tudo, Parar antes de enviar.
Pense. Esse resultado é o melhor possível? O que acontece se continuo interagindo com o chatbot? As respostas melhoram?
Todo chatbot e plataforma com IA avisa em letras miúdas "estes resultados podem conter erros" e, de fato, vemos muitas imprecisões e resultados falsos em algumas respostas, principalmente quando são do âmbito acadêmico. Desse tema já temos escrito outras vezes neste blog.
Isso levanta a necessidade de conferir cada referência e resultado obtido.
Qual chatbot brinda uma resposta melhor ou mais adequada para minhas necessidades? Lembre também que as respostas dependem do prompt, da versão de chatbot utilizada, se é gratuita ou não e o grau de contextualização e número de conversas que já tivemos com esse chatbot. Por isso, é muito importante também comparar os resultados obtidos em cada condição e sistema.
Em uma pedagogia enriquecida pela IA, podemos ver que muitos chatbots já oferecem a possibilidade de compartilhar as interações (conversas) realizadas com eles. Não estou falando apenas de copiar o resultado, senão de compartilhar a conversa por meio do link oferecido pelo próprio sistema, de forma que outro (o docente junto com os alunos?) possam conferir o caminho percorrido e até continuar o diálogo, se acharem que foi interessante ou ficaram com alguma dúvida. Isto é o que eu chamo de divulgar para os colegas do curso a evidência do ensino/interação com o chatbot empregado.
Esse passo parece simples, mas não é assim. Ele envolve uma mudança de atitude bastante profunda, porque temos enraizada uma ideia firme que o resultado do diálogo com o chatbot é muito pessoal, apenas para mim, e devemos quebrar esse ciclo em sala de aula se queremos avançar.
Entendo que essa forte noção de "atividade oculta", muito provavelmente surgiu pelo uso instrumental e imediato dos chatbots para fazer, em segredo, as tarefas enviadas pelos professores, mas não deveria ser assim em uma pedagogia enriquecida, de fato, com os chatbots.
Discutir está muito relacionado com divulgar, porque a partir da divulgação pelos alunos dos links com as conversas e os produtos gerados por toda a turma, o professor pode guiar a comparação e discussão dos resultados obtidos, para chegar nas conclusões ou propor novas tarefas e ajustes nos processos didáticos.
Na reconfiguração dos processos de ensino adaptados por IA, tal como propõe o recente Referencial para Desenvolvimento e Uso Responsáveis de Inteligência Artificial na Educação (MEC, 2026, p. 89), e muitas das propostas pedagógicas enriquecidas com IA que tenho visto na literatura, o professor se redefine como um facilitador, mas também temos que reconhecer que devido à extraordinária velocidade dos avanços da IAG, todos somos aprendizes desse tema, com os docentes também incluídos.
Pesquisas informais feitas para saber o grau de conhecimento dos alunos sobre temas da IAG mostram resultados muito variados, predominando o nível baixo ou médio-baixo de domínio e experiência. Por isso, considero que é muito importante discutir estes temas com nossos alunos.
Por último, devo dizer que este protocolo PPCCDD não nasceu por acaso, nem foi criado a partir da nada. É produto de uma reflexão minha a partir de um curso que fiz recentemente como aluno, onde tive conhecimento do protocolo PIER, de letramento informacional, adaptado para o português pelo Instituto Palavra Aberta/Educamídia (link).
O que você achou desta proposta de protocolo PPCCDD? A utilizaria com seus alunos? Tem alguma ideia ou sugestão para melhorar esta proposta? Gostaria muito de ouvir seus comentários.
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