5 de jun. de 2021

Para um regresso a uma outra escola

 

Darling-Hammond et al. (2020, p. 3).

Duas doutorandas da Universidade Católica Portuguesa (UCP) fizeram uma adaptação das recomendações que aparecem no texto Restarting and reinventing school: Learning in the time of COVID and beyond, de Darling-Hammond et al. (2020).

O documento original, produzido pelo Learning Policy Institute possui dez recomendações. Vejamos:

1. Eliminar progressivamente as desigualdades no acesso a equipamentos e tecnologias digitais.

2. Conjugar o ensino on line com o ensino presencial, gerando novas e plurais dinâmicas de aprendizagem.

3. Avaliar sistematicamente o que os alunos precisam de aprender e indicar os caminhos das possibilidades.

4. Garantir suportes presenciais e a distância para a aprendizagem social e emocional.

5. Redesenhar as escolas (na gestão dos espaços, dos tempos, do agrupamento dos alunos) para relacionamentos mais fortes e saudáveis.

6. Enfatizar uma autêntica aprendizagem cultural e social territorialmente implicada.

7. Providenciar um tempo de aprendizagem mais rico, flexível e eventualmente alargado, mas segundo as necessidades (diversas) dos alunos.

8. Reforçar os laços das escolas com a comunidade e praticar o conceito das “cidades educadoras”.

9. Incentivar os educadores para uma reinvenção das práticas de escolarização [mais reflexão, mais colaboração, mais interdisciplinaridade, mais integração, mais diversidade de respostas]

10. Promover um financiamento da escola mais adequado e equitativo gerando mais coesão e justiça social.

As 35 páginas do documento português produzido agora em 2021, reúne não apenas isto, como também outras recomendações e opiniões das autoras. É por isso que, na minha consideração, esse documento pode ser muito útil para orientar o trabalho das instituições e redes educativas na pandemia, assim como as ações estratégicas futuras, dentre elas a formação docente.  


Referências

Darling-Hammond, L., Schachner, A., & Edgerton, A. K. (with Badrinarayan, A., Cardichon, J., Cookson, P. W., Jr., Griffith, M., Klevan, S., Maier, A., Martinez, M., Melnick, H., Truong, N., Wojcikiewicz, S.). Restarting and reinventing school: Learning in the time of COVID and beyond. Palo Alto, CA: Learning Policy Institute, 2020. 

Matias Alves, José; Serra, Lídia; Araújo, Margarida. Para um regresso a uma outra escola. Desafios 34. Cadernos de Trans_formação, Março de 2021.  https://www.fep.porto.ucp.pt/sites/default/files/files/FEP/SAME/DESAFIOS%2034_mar%C3%A7o%2021.pdf






20 de mar. de 2021

18 de nov. de 2020

Curso TDMA. Parte 5. A propósito de vídeos.

No curso foram apresentadas diversas possibilidades tecnológicas e metodologias ativas, e algumas delas tem que ver com vídeos.

Temos que reconhecer que uma das mudanças mais evidentes neste tempo pandêmico tem sido o reposicionamento do foco nas tecnologias e muitas das possibilidades tecnológicas atuais em matéria de comunicação passam e perpassam os vídeos, os quais ganharam um protagonismo sem precedentes na comunicação em geral e na educação realizada à força de forma não presencial, chame-se EOL, EaD ou ERE. É graças ao vídeo que possibilidades como a aula invertida (Flipped Classroom) ganharam notoriedade nos últimos tempos. 

A importância dos vídeos é tão grande neste momento que senti necessidade de organizar o que já tinha sobre esse tema e fazer curadoria de conteúdos adicionais. Com tudo isso em mãos iniciei uma lista na qual reúno trabalhos acadêmicos sobre uso de vídeos na educação [link], mas pelo outro lado, não deixamos de trabalhar intensamente como docentes com ferramentas de webconferência, nas aulas virtuais e elaborando diversos materiais em vídeo para momentos assíncronos.

Vale tudo neste momento e até resgatei o velho Power Point, assim como o Microsoft Fotos, para produção de vídeos, tanto para aulas diversas como para materiais de apoio.

Um exemplo de material de apoio em vídeo é este que tenta ilustrar as diferenças entre os processos de interação chamados de cooperação  e colaboração e tentando relacionar com as possibilidades tecnológicas de épocas diferentes. Na realidade pensei primeiro em oferecer essa informação como um gif animado, mas com tantas animações inseridas o gif a partir do Power Point ficou bastante grande. Dessa forma optei por oferecer esse material no formato mesmo de vídeo. 

 

Este material de apoio pode ajudar para compreender melhor duas noções importantes no curso de Introdução à EaD, entre tantas outras necessárias: as diferenças entre uma interação cooperativa e uma interação colaborativa. A colaboração foi facilitada pela web 2.0 (a web social).

Outros materiais são elaborados para tentar visualizar as diferenças entre a web 1.0 e 2.0.



Em outro caso, o Moodle parou de funcionar por um par de dias, quase no início do curso na minha universidade, assim que para não perder a semana tive que preparar rapidamente outro vídeo com explicações e instruções sobre as atividades realizadas e futuras, que apresento aqui no segundo exemplo em vídeo, pois ele não envolve alunos:


Com a pandemia tivemos que virar rapidamente professores proficientes no trabalho com mídias que geralmente não produzimos, já que no caso dos vídeos, geralmente somos consumidores e não produtores de materiais didáticos nesse formato.

E vocês? Tem alguma experiência que possam comentar aqui?  

12 de nov. de 2020

Curso TDMA. Parte 4. Docentes "transeuntes digitais". A propósito de um novo livro.

fonte da imagem: Metrópoles, 01-09-2019. 

Agora mesmo estou lendo um capítulo de um livro que acabou de ser disponibilizado (em espanhol) e seus autores colocam o docente antenado como um "transeunte digital", isto é "um docente que:

- Centra seu olhar nas questões pedagógicas para se ocupar também da dimensão tecnológica.

- Tem clareza nos objetivos educativos de suas propostas.

- Explora novas estratégias para ensinar, indaga, cria, pergunta, tece redes com outros docentes e estabelece novas relações com os estudantes, se forma continuamente, experimenta e se arrisca". 

Desculpem a tradução grosseira que fiz. O texto chegou 10 minutos atrás, mas decidi compartilhar e traduzir aqui em primeira mão porque acho que tem tudo a ver com a linha que está sendo apresentada e discutida no curso TDMA relatado nas postagens anteriores. 😉



Fonte:  Rogovsky, C; Chamorro, F.  Docentes interpelados. In: Cómo enseñar a aprender. Buenos Aires, Argentina. Editorial La Crujía, 2020. Disponível em http://www.pent.org.ar/institucional/publicaciones/como-ensenar-aprender-capitulo-2-docentes-interpelados. 

11 de nov. de 2020

O curso TDMA. Parte 3: Comentários adicionais sobre documentos de Google Docs

Entre tantas coisas interessantes que encontrei no curso de Tecnologias Digitais e Metodologias Ativas (TDMA), algo que me chamou a atenção e que não demorei para implementar nas minhas próprias práticas pedagógicas foi a possibilidade de que os alunos comentem textos colocados no Google drive.

Após algumas orientações iniciais por minha parte, os alunos não tiveram grandes dificuldades para entender e abraçar a proposta que já utilizei com textos e turmas diferentes.

É até difícil acreditar o fácil que é trabalhar dessa forma.

Como não tinha pensado nisso antes?

Até agora são positivos os comentários coletados sobre este  procedimento.

Seguem duas imagens para ilustrar a proposta com uma das apostilas que elaborei, neste caso para a disciplina de Introdução à Educação a Distância:





O curso TDMA. Parte 2

 O curso TDMA ministrado pelos reconhecidos professores Dênia Falcão e José Manuel Moran eu diria que é até embriagante. Por um lado, pelo conhecimento que estamos tendo e, pelo outro lado, porque a participação e interdependência positiva criada entre os professores e alunos incentiva todos a conhecer e participar mais.

No primeiro café a professora Dênia esclareceu algumas dúvidas que surgiram, por exemplo, no uso do Padlet. Também mostrou como preparar rapidamente sites com o Google sites.


 Agora cabe a nós continuar fazendo as leituras e praticar com as possibilidades que são mostradas.

3 de out. de 2020

Um modelo com quatro dimensões para medir o capital social dos estudantes

Em junho deste ano as pesquisadoras Mahnaz Charania e Julia Freeland Fisher do Christensen Institute publicaram um documento no qual chamam a atenção para um aspecto pouco atendido até agora, o capital social dos estudantes.

O capital social descreve o acesso e a capacidade dos alunos de mobilizar as redes de relações (relationships) entre eles que os ajudam a promover seu potencial e seus objetivos. Assim como as habilidades e os  conhecimentos, as relações oferecem recursos que direcionam o acesso às oportunidades.

Tomei a liberdade de fazer uma tradução do infográfico da página 7 do relatório com as quatro dimensões do modelo (A four-dimensional framework for measuring students' social capital):

 

As quatro dimensões são:

QUANTIDADE DE RELAÇÕES

Definição: O número de pessoas no tempo em uma rede de estudantes.

Por que importa? Porque quantas mais relações os estudantes tiverem, melhores serão as chances de encontrar apoio e ter oportunidades.

QUALIDADE DAS RELAÇÕES

Definição:
A forma em que os estudantes experimentam as relações.

Por que importa? Porque relações diferentes oferecem diferentes valores sobre como os estudantes precisam evoluir. As relações positivas podem ajudar nas necessidades instrumentais, de  desenvolvimento e de relação.  

ESTRUTURA DAS REDES

Definição: As diferentes pessoas que eles conhecem e as formas em que eles se conectam.

Por que importa? Porque estruturas de redes diferentes servem para diversas funções importantes. Redes fortes de relações entre estudantes oferecem um suporte confiável. Diversas redes proporcionam canais para descobrir novas oportunidades.   

HABILIDADE PARA MOBILIZAR RELAÇÕES

Definição: A forma de pensar e as habilidades que o estudantes precisam ter para ativar as relações.

Por que importa? Porque ensinar aos estudantes o valor do capital social os capacita para que sejam construtores ativos de suas redes. O conhecimento de como cultivar e manter as redes ajuda para manter as relações através de suas vidas.

Referência

CHARANIA, Mahnaz; FISHER, Julia Freeland. The missing metrics: Emerging practices for measuring students’ relationships and networks, Christensen Institute, July 2020. https://whoyouknow.org/measurement-report/