fonte da imagem: Goran Horvat - Pixabay
No âmbito educacional, especialmente na parte de “preparação das aulas” e tudo o que isso envolve, talvez não estejamos obtendo resultados realmente úteis quando perguntamos para alguma IA (chatbot) como fazer isso.
Não é um problema da tecnologia, mas de como ela é utilizada. Porque usar IA não consiste em digitar “faça uma atividade para mim” e esperar que apareça algo perfeitamente adaptado para a sala de aula. A chave está em algo muito mais simples e, ao mesmo tempo, mais poderoso... saber criar bons prompts. Isso é algo que deve estar associado à paciência de realizar muitas interações até conseguirmos o que queremos, mas também depende de alguns conhecimentos simples que precisamos ter.
Um dos erros mais comuns é usar a IA como se fosse um mecanismo de busca, exceto o Google, que já vimos como mudou e potencializou esse processo, mas as IAs generalistas não buscam informações, elas as geram. E quando não tem instruções claras, preenchem as lacunas como podem. Daí surgem essas respostas genéricas, pouco adequadas ao nível dos alunos ou com pouca coerência didática. É então que surge a sensação de que “isso não funciona tão bem quanto diziam”, quando, na verdade, o problema está na abordagem inicial. Na abordagem inicial e na renúncia do professor que aceita sem questionar o resultado bruto fornecido pela IA.
Um prompt educacional não é uma simples pergunta, mas uma instrução com intenção pedagógica. É muito semelhante ao que fazemos quando explicamos uma tarefa em sala de aula. Quanto mais claro e definido for o que solicitamos, melhor será o resultado. Nesse sentido, há quatro elementos básicos que devem ser levados em conta: o contexto (para quem é), o objetivo (o que queremos alcançar), a tarefa (o que a IA deve fazer) e o formato (como queremos receber a resposta). Adicionar também condições — como o tipo de linguagem, a abordagem metodológica ou o nível de dificuldade — ajuda a refinar ainda mais.
Por exemplo, não é a mesma coisa pedir “explique a fotossíntese” que indicar que a explicação seja feita para alunos do 1º ano do Ensino Médio, com linguagem simples, incorporando um exemplo cotidiano e acrescentando algumas perguntas de verificação. No segundo caso, a resposta já começa a ser utilizável diretamente em sala de aula. Não se trata de complicar a vida, mas de dizer de forma específica o que queremos, para quem e como o queremos.
Há, além disso, um uso especialmente interessante que deveria ser incorporado no uso da IA. Usá-la para melhorar os prompts iniciais. Ou seja, não apenas solicitar conteúdos, mas pedir que ela refine a maneira como estamos dando instruções. Solicitações como “melhore este prompt para que fique mais claro” ou “adapte-o para alunos com dificuldades” permitem dar um salto de qualidade muito notável sem a necessidade de investir muito tempo.
Quando se começa a trabalhar dessa maneira, as aplicações práticas surgem quase que naturalmente. É possível criar atividades de vários níveis em poucos minutos, adaptar textos a diferentes níveis de compreensão, elaborar critérios de avaliação coerentes ou até mesmo estruturar situações de aprendizagem completas. Isso não substitui o critério do professor, mas reduz significativamente o tempo de preparação e permite que ele se concentre no que realmente importa. E o importante é saber como levar isso para a sala de aula.
No entanto, há um aspecto que não pode ser ignorado. O uso de ferramentas de IA na educação tem limites muito claros. É imprescindível fazê-lo, especialmente quando vemos nas redes sociais algumas aberrações no que é compartilhado que foi feito com a IA por alguns docentes.
Não se deve inserir dados pessoais dos alunos, nem compartilhar situações que possam ser identificáveis, nem trabalhar com informações confidenciais da sala de aula em plataformas abertas. Nos casos em que for necessário utilizar dados reais, a única opção válida é recorrer às ferramentas fornecidas pela própria administração educacional. Não se trata apenas de uma questão normativa, mas também de responsabilidade profissional.
Quanto à escolha da ferramenta, sem complicar muito, atualmente as opções mais equilibradas para a maioria dos professores continuam sendo o ChatGPT ou o Gemini. Funcionam de maneira confiável. Mesmo na versão gratuita permitem interagir com facilidade, compreendem bem o contexto educacional e não exigem conhecimentos técnicos avançados. As versões pagas podem oferecer vantagens em determinados usos mais intensivos, mas não são indispensáveis para começar a trabalhar com segurança. Lembro a vocês, como sempre digo, que devem se sentir à vontade com a ferramenta, e isso significa usar aquela que mais lhes agrada. Não há diferenças significativas entre as duas que mencionei para a geração de esboços de materiais de qualidade a serem usados em sala de aula.
No fim das contas, tudo se resume a uma ideia bastante simples. A IA, por si só, não transforma nada. O que faz a diferença é como ela é utilizada. E isso começa por aprender a formular melhor o que queremos. Porque, na educação como em quase tudo, a qualidade da resposta depende, em grande medida, da qualidade da pergunta.
Texto traduzido e adaptado de "Estás usando mal la IA ... y lo sabes" do autor Jordi Martí, 22 de marzo de 2026.

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