9 de mai. de 2020

Resumo do webinário "Novos Cenários de aprendizagem. Chegaram para ficar"

Pela importância e atualidade, divulgarei as anotações que fiz sobre os pontos principais de um webinário realizado no dia 7 de maio por três pesquisadores muito conhecidos da Universidade de Sevilha (Julio Cabero , Oscar Gallego e Manuel Serrano). Seu título em espanhol é "Nuevos Escenarios de Aprendizaje. Han Venido para quedarse."


1- Adaptação a novos ambientes de aprendizagem (Julio CABERO ALMENARA) (5:10min - 27:34min do vídeo),
2- Design de cenários virtuais para a aprendizagem (Oscar GALLEGO PÉREZ) (27:35min - 39:24 min),
3- Ferramentas tecnológicas nos atuais cenários formativos (Manuel SERRANO HIDALGO) (39:25min - 50:32min).
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1-  Adaptação a novos ambientes de aprendizagem. 
Palavras de Julio Cabero (5:10 min - 27:34 min):

A sociedade está mudando. A educação está mudando também?

Antes tudo estava controlado. Professor ensinava e aluno era um
receptor passivo de informação. Não mais, o cenário está mudando

Grandes Transformações:
- grande volume de informação
- período formal de instrução
- vivemos em uma sociedade de aprender a aprender
- durabilidade menor dos conteúdos
- se aprende em diferentes cenários
- as instituições escolares estavam pensadas para dar respostas corretas e duradouras.
Os informes Horizon que previam as tecnologias emergentes como se incorporariam, foram se incorporando, mas existe uma importante brecha digital.
Algumas dessas tecnologias significativas emergentes são:
- a computação em nuvem
- as analíticas de aprendizagem
- ambientes pessoais de aprendizagem
- aprendizagem móvel, ubíquo (através dos celulares)
- realidade aumentada e realidade virtual
- estratégias como ensino invertido, estudo de caso, projetos, etc.
- robótica (por exemplo para STEM)
- gamificação
- b-learning e e-learning 2.0

Hoje o docente se encontra e uma nova situação muito diferente daquele docente da sociedade pós-industrial.

A tecnologia permite criar um ecossistema de formação enriquecido pelas tecnologias. Não podemos desperdiçar estas possibilidades para formar a nossos estudantes.

O importante é incorporar tecnologias desde um ponto de vista educativo e não puramente técnico, não para fazer as mesmas coisas.

Temos que utilizar as tecnologias para desenhar novos cenários de aprendizagem diferentes e mais interessantes para nossos alunos e que lhes permitam fazer muitas mais coisas
. As tecnologias permitem como mínimo três coisas: (1) cenários enriquecidos pelas tecnologias (2) ampliar os cenários de formação. Agora temos a necessidade de trabalhar com as tecnologias e (3) a tecnologia permite trabalhar em coisas mais dinâmicas (síncronas e assíncronas).

Devemos ampliar a dimensão das TIC ou TDIC para as TAC ou TEP.*

As tecnologias serão importantes de acordo a como o professor as percebe. As CDD (Competências Digitais do Docente) não significam que o professor desde um ponto de vista técnico saiba utilizar as tecnologias. Existem muitas diferenças entre  uso das tecnologias no âmbito pessoal e no âmbito pedagógico.
 

A CDD não é o manejo instrumental das TIC.


2- Design de cenários virtuais para a aprendizagem 


Palavras de Oscar Gallego (27:35min - 39:24 min):
 

Não é reutilizar simplesmente os mesmos materiais das aulas presenciais.

As disciplinas que são utilizadas em um campus virtual devem ter que considerar estes pontos importantes:


1- sempre devem ter uma introdução à temática
2- declarar os conteúdos e competências
3- acompanhar com um mapa conceitual
4- conteúdos (um tipo de cenário)
5- e-atividades (outro tipo de cenário)
Qual utilizamos, baseados em conteúdos ou por e-atividades?
E-atividades permitem uma participação mais ativa do aluno e desenvolvimento de outras habilidades.
Recursos (audio, vídeo, animações, multimedia, ilustrações, web e simuladores) Polimedia (apoiado em vídeo, power point, simulações, etc.)
 

Digitalizar não é igual que virtualizar uma disciplina.
 

O primeiro deve ser a metodologia, não a tecnologia. 

Devemos pensar primeiro na metodologia para pensar depois em qual tecnologia vamos usar em função dessa metodologia.

Utilizamos a melhor tecnologia para o objetivo que tenha sido planejado.


3- Ferramentas tecnológicas nos atuais cenários formativos
Palavras de Manuel Serrano (39:25 min - 50:32 min):

- Importância da formação
- As ferramentas são subordinadas à formação
- Seleção adequada em cada situação
- Uso personalizado

- Autonomia pessoal na criação de conteúdo
- Ferramentas para professores e alunos (oficiais)
- uso da web 2.0
- Criação de conteúdo e avaliações em ambientes virtuais
Ferramentas para avaliações são muito solicitadas neste tempo de final de semestre em tempo de pandemia (por exemplo a central de avaliações [do Moodle?])

Qual ferramenta utilizar? (são muito variadas)

Pílulas formativas
webinars
cursos específicos
cursos de pósgrado

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* Se ficou curioso com as abreviaturas TAC e TEP, recomendo ver "Sobre TIC e outras siglas parecidas" neste mesmo blog.

8 de mai. de 2020

Sobre TIC e outras siglas ou abreviaturas parecidas


Estive um período longo sem escrever neste blog, pois estava trabalhando em outros blogs (um de ensino da língua espanhola, outro sobre infográficos, e um terceiro sobre tecnologias no ensino de línguas), mas decidi retomar este canal de comunicação com um texto que é uma nova versão de outro que escrevi em espanhol em 2015. 

Sobre TIC e outras siglas ou acrônimos parecidos 

Vamos fazer um breve passeio por algumas siglas ou abreviaturas em relação com as tecnologias, pois algumas são bem conhecidas, mas outras nem tanto.


TIC – TDIC – TRIC – TAC – TEP – TEC – TDICE. Ficamos com a língua travada, não é mesmo?
 
Então melhor vamos por partes.
 
TIC e TDIC:
 
A sigla TIC (referente a Tecnologias da Informação e Comunicação) é conhecida por muitos docentes. Essa é uma abreviatura usada desde os anos 80 pelos especialistas, mas que foi aos poucos ampliando seu uso para o público geral e acompanha o desenvolvimento da comunicação digital. Devemos considerar que TDIC (Tecnologias  Digitais da Informação e Comunicação) é uma sigla mais recente, e que está substituindo com rapidez à primeira. TDIC é na realidade uma evolução que deseja ressaltar o uso das tecnologias digitais. Esta sigla será muito mais comum e natural em pouco tempo.

 
TRIC:
 
A sigla TRIC (Tecnologias para as Relações, a Informação e a Comunicação) foi pensada com a ideia de superar a ênfase tecnológica das TIC tentando relacionar os processos que acontecem durante a permanência e participação nas redes sociais que, como sabemos, tem uma grande importância na sociedade atual.

 
TAC:
 
No caso das TAC (Tecnologias para Aprendizagem e Colaboração), como seu nome indica, procura mudar a atenção para o que é possível fazer na educação com as tecnologias, e não tanto para o fato de ter ou não ter a tecnologia ou qual tipo de tecnologia dispomos. Como docentes é interessante também pensar nas tecnologias desde esta perspectiva.

A web serve também para melhorar as nossas vidas, falar e ser ouvidos, mobilizarmos por determinadas causas, em fim, manifestarmos e participar nas decisões e rumos da sociedade, é por isso que Reig (2012) recomenda passar das TIC para as TAC e TEP.

 
TAC (2)

Existe outra TAC, mas nesse caso faz referência às Tecnologias para a Aprendizagem e o Conhecimento (ver ESPUNY; GISBERT, GONZÁLEZ; COIDURAS, 2010). Não tem muita diferença com a TAC anterior, mas não devemos deixar sem mencionar.

 
TEP:
 
As TEP (Tecnologias para o Empoderamento e Participação) permitem uma maior participação em uma democracia mais transparente e direta. O infográfico disponível em Crianzatecnologica.org, assim como os textos de Sardelich (2012) e Sancho Gil (2008) podem ajudar para entender melhor este tema, mas esse assunto não termina aqui.

 
TEC:
 
Esta sigla a conheci através de uma pedagoga argentina. TEC quer dizer Tecnologias para Ensino e Conhecimento, isto é mais uma sigla com ênfase no processo pedagógico e nos ambientes escolares. 

Já estamos quase concluindo.

 
TDICE:

Deixei para o final as TDICE (Tecnologias Digitais da Informação, Comunicação e Expressão).
 
O termo TDICE foi criado em 2010, como comenta seu autor Lacerda Santos em 2021. Outros dois textos que também pude ler naquela época inicial foram Lacerda Santos (2014) e Rosa Ferreira e Lacerda Santos (2014).

TDICE é o termo preferido por mim, mas tenho que  reconhecer que, muito infelizmente, é pouco conhecido fora da âmbito da UnB. 
 
Uso especialmente esse termo quando penso nos alunos como produtores e não apenas como consumidores de conteúdos digitais.
 
Muitos neologismos consideram essa relação estreita entre consumidor e produtor, como atestam Herrero Diz, Ramos Serrano e Nós (2016) na revisão que realizaram sobre esse tema. Por exemplo, prosumer (RIFKIN, 2000, 2014) ou produsers (BRUNS, 2008, p. 2), e mais recentemente apareceu outro termo interessante, prosumirtuador. Os prosumirtuadores são usuários consumidores e também produtores que interagem nas redes sociais (RÍOS, 2017, p. 31).  


 
Como podemos ver, as coisas não são tão simples de classificar quando pensamos em abreviaturas para as tecnologias, mas para a nossa estabilidade mental é bom colocar ordem nas coisas que fazemos e como as nomeamos. Dessa forma não fiquem muito preocupados. O que devemos fazer é saber fundamentar as nossas escolhas, seja qual for. 
 
Este tema me fez lembrar estas palavras de Burbules e Callister (2001) “a tecnologia não é apenas a coisa, senão a coisa e as pautas de uso com as quais se aplica essa tecnologia, a forma como as pessoas pensam e falam dela, assim como os problemas e expectativas que gera" (p. 23). Com isto quero dizer que de acordo a como abordemos o problema e o que desejamos focalizar no trabalho como docentes, provavelmente um termo será melhor que outro. Por isso, no final, sempre é bom ter consciência do que queremos fazer e porque para eleger a melhor opção.
 
Para finalizar, proponho uma reflexão para você, amigo leitor: 
  
Qual sigla prefere utilizar nos desafios mais imediatos com seus alunos envolvendo tecnologias: TIC, TDIC, TRIC, TAC, TEP, TEC ou TDICE? 😉

Referências

ABIO, Gonzalo. Sobre TIC y otras siglas parecidas. Espacio Santillana Español, 9 de dezembro de 2015. https://www.espaciosantillanaespanol.com.br/tecnologia/sobre-tic-y-otras-siglas-parecidas

BURBULES, Nicholas C.; CALLISTER, Thomas A. Educación: riesgos y promesas de las nuevas tecnologías de la información. Buenos Aires: Granica, 2001.

BRUNS, Axel. Blogs, Wikipedia, Second Life, and Beyond. From Production to Produsage. Series: Digital Formations, v. 45, Peter Lang International Academic Publishers, 2008.

ESPUNY, Cinta; GISBERT, Mercè; GONZÁLEZ, Juan; COIDURAS, Jordi. Los seminarios TAC. Un reto de formación para asegurar la dinamización de las TAC en las escuelas. EDUTEC, n. 34, diciembre 2010. https://www.edutec.es/revista/index.php/edutec-e/article/view/420

HERRERO DIZ, Paula; RAMOS SERRANO, Marina; NÓ, Javier. Los menores como usuarios creadores en la era digital del prosumer al creador colaborativo. Revisión teórica 1972-2016. Revista Latina de Comunicación Social, n. 71, 11, p. 1301-1322, 2016. http://www.revistalatinacs.org/071/paper/1147/67es.html

LACERDA SANTOS, Gilberto. Educação, Tecnologias e Inovação Pedagógica: em busca do Interativismo Colaborativo. Revista da FAEEBA, v. 30, n. 64, p. 226-240, 2021. https://dx.doi.org/10.21879/faeeba2358-0194.2021.v30.n64.p226-240

LACERDA SANTOS, Gilberto. A promoção da inclusão digital de professores em exercício: Uma Pesquisa de Síntese sobre aproximações entre professores, novas mídias e manifestações culturais emergentes na escola. Inter-ação, v. 39, p. 529-542, 2014. https://revistas.ufg.br/interacao/article/view/28790/17722
 
REIG, Dolors. Disonancia Cognitiva y apropiación de las TIC. Telos. Cuadernos de Comunicación e Innovación, n. 90, ene.-mar. 2012. https://telos.fundaciontelefonica.com/archivo/numero090/disonancia-cognitiva-y-apropiacion-de-las-tic/

RIFKIN, Jeremy. The new capitalism is about turning culture into commerce. Los Angel: Times, 2000.

RIFKIN, Jeremy. The zero marginal cost society: the Internet of things, the collaborative commons, and the eclipse of capitalism. New York: Palgrave Macmillan, 2014.

RÍOS, Héctor. De consumidores pasivos a prosumirtuadores de contenido en la didáctica de la enseñanza-aprendizaje de lenguas: no solo podcast. Boletín de ASELE, 56, p. 31-44, 2017. http://www.aselered.org/sites/default/files/boletines/asele-56.pdf

ROSA FERREIRA, Carlos Alberto; LACERDA SANTOS, Gilberto (Eds.) A inclusão digital em meios de ensino formais e não-formais. Lisboa: Universidade de Lisboa/MH edições, 2014. https://www.academia.edu/6683979/A_inclus%C3%A3o_digital_em_meios_de_ensino_formais_e_n%C3%A3o-formais_Editora_da_Universidade_de_Lisboa_

SANCHO GIL, Juana Maria. De TIC a TAC, el difícil tránsito de una vocal. Investigación en la escuela, 2008. https://idus.us.es/handle/11441/60864

SARDELICH, Maria Emilia. TIC/TAC/TEP: Tecnologias para empoderar e aprender. UNISANTA Humanitas, v.1, n. 1, p. 22-31, 2012. https://periodicos.unisanta.br/index.php/hum/article/download/106/78

[texto modificado em 2021]

31 de jul. de 2015

MEC lança portal para receber sugestões no ensino básico


MEC lança portal para receber sugestões no ensino básico

O Ministério da Educação (MEC) lançou hoje (30) o site da Base Nacional Comum Curricular (BNC) – plataforma ampla para receber sugestões de organizações, redes de ensino e da sociedade em geral para a definição do que os alunos do ensino básico devem aprender ano a ano. No dia 15 de setembro, a pasta divulgará oficialmente a proposta preliminar para, a partir dela, coletar sugestões até o dia 15 de dezembro pelo endereço http://basenacionalcomum.mec.gov.br/.

A BNC vai dar a maior transparência possível sobre os conhecimentos que todos os estudantes devem ter, da creche ao ensino médio, detalhando o que devem aprender. O site reúne documentos teóricos, vídeos com especialistas e autoridades. É possível também ter acesso ao currículo adotado em cada estado e no Distrito Federal.

"Sem a base fica difícil rever a formação de professores, fica difícil, para não dizer impossível, pensar no material didático", diz o ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro. O ministro espera concluir a BNC até março do ano que vem e enviá-la ao Conselho Nacional de Educação (CNE). "A base se tornou pivô de várias ações e pré-requisito de várias medidas necessárias para melhorar a educação brasileira", acrescenta.

O portal já está no ar. A partir de segunda-feira (3), o MEC entrará em contato com as organizações para que façam o cadastro no site e participem da elaboração da base. A partir da divulgação da proposta preliminar, o portal estará aberto para as contribuições.

A recomendação é que as redes de ensino, os movimentos sociais, entidades classistas e demais grupos enviem propostas já organizadas, que os represente. Já as contribuições individuais serão consolidadas pelo MEC. O site permite que os colaboradores enviem arquivos e que professores compartilhem, por exemplo, aplicações em sala de aula do que estão defendendo para a BNC.

A definição de uma base comum curricular é uma das estratégias que constam no Plano Nacional de Educação (PNE), sancionado no ano passado pela presidenta Dilma Rousseff. O PNE estabelece metas e estratégias para os próximos dez anos, de modo a melhorar a educação.

Um grupo de 116 especialistas debate no MEC a versão preliminar da BNC, que será colocada para consulta. Depois de consolidada, a proposta da base será enviada ao CNE para avaliação. Depois disso, retorna ao ministério para ser homologada. O prazo para que seja enviada ao CNE é junho de 2016.

fonte: Mariana Tokarnia - Agência Brasil
data: 30-07-2015
URL: http://agenciabrasil.ebc.com.br/educacao/noticia/2015-07/mec-lanca-portal-para-receber-sugestoes-no-ensino-basico

6 de abr. de 2015

Especialistas apresentam cinco propostas para a educação brasileira

 

Matéria tomada do jornal Zero Hora, 04/04/2015.

Vale a pena ler.

Clique aqui.

21 de mar. de 2014

Escola em SP inova ao inverter turno de alunos

Simples assim. Uma ajudinha para os estudantes adolescentes dorminhocos. "Escola em SP inova ao inverter turno de alunos".

26 de nov. de 2013

Um novo "Pacto" pela educação está chegando. Agora para o ensino médio

Deixarei aqui à consideração de vocês duas notícias importantes que alegraram meu día.


Pacto Nacional pelo Ensino Médio é publicado no Diário Oficial
http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-11-25/pacto-nacional-pelo-ensino-medio-e-publicado-no-diario-oficial

MEC investirá R$ 1 bilhão na capacitação de professores do ensino médio
http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-11-25/mec-investira-r-1-bilhao-na-capacitacao-de-professores-do-ensino-medio

13 de nov. de 2013

Projeto define que Ministério da Educação cuide apenas do ensino básico

Apenas reproduzo a notícia, pelas possíveis implicações do projeto em tramitação:

A Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE) do Senado aprovou, nesta terça-feira (12), projeto que transforma o Ministério da Educação em Ministério da Educação de Base, que deverá ficar encarregado da educação infantil até o ensino médio. Pelo texto, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação passará a regular o ensino superior. A matéria segue para a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ).

O senador Cristovam Buarque (PDT-DF), autor do PLS 518/2009, argumenta que a mudança é necessária, pois o governo federal tem dado mais importância ao ensino superior do que à educação básica, um erro grave, em sua opinião.

O relator na CE, senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), reconhece o mérito da proposta, embora frise que a União vem atuando, nos últimos anos, de maneira crescente na educação básica, em razão até mesmo da pressão do Parlamento para que o Poder Executivo assuma mais responsabilidades para com os sistemas de ensino -atuação ainda tímida e insuficiente, na opinião do parlamentar.

Aloysio, entretanto, apontou vício de iniciativa do projeto, já que a criação de ministérios e órgãos da administração pública é competência exclusiva da Presidência da República, assim como a organização e o funcionamento da administração federal, quando não implicar aumento de despesa nem criação ou extinção de órgãos públicos. Como a análise da constitucionalidade da proposta compete à CCJ, o relator apresentou parecer favorável para que a matéria prossiga na tramitação e seja reavaliada .

As senadoras Ana Rita (PT-ES) e Ângela Portela (PT-RR) e o senador Inácio Arruda (PCdoB-CE) apresentaram requerimento de realização de audiência pública para instruir a análise da matéria, mas o pedido não foi votado.

Fonte: http://educacao.uol.com.br/noticias/2013/11/12/projeto-define-que-ministerio-da-educacao-cuide-apenas-do-ensino-basico.htm

1 de out. de 2013

Cresce o analfabetismo

Depois da universalização das matrículas no ensino fundamental, que foi uma das principais conquistas do País das décadas de 1990 e 2000, era de esperar uma significativa melhoria na qualidade das escolas nos últimos anos. Mas, em vez do desenvolvimento natural rumo a uma educação básica mais eficiente, capaz de assegurar ao País a formação de capital humano de que necessita para poder crescer e passar para níveis mais sofisticados de produção, o Brasil está retrocedendo.

Essa é uma das mais importantes - e preocupantes - conclusões que podem ser extraídas da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2012, divulgada pelo IBGE. A pesquisa é realizada desde 1967 e traz informações sobre população, migração, trabalho, rendimento e domicílios, além de educação. A partir de 2004, ela passou a cobrir todo o País. Para realizar a Pnad de 2012, os técnicos do IBGE consultaram 147 mil domicílios.

Segundo os indicadores da Pnad na área de educação, o analfabetismo - que vinha em queda constante desde 1998 - voltou a crescer no ano passado. Os técnicos do IBGE identificaram 13,163 milhões de pessoas que não sabiam ler nem escrever - o equivalente a 8,7% da população com 15 anos ou mais. Em 2011, o número de analfabetos era de 12,866 milhões. Em termos absolutos, o aumento foi de 297 mil analfabetos e se concentrou no Nordeste - especialmente nos Estados da Paraíba, Pernambuco, Bahia e Alagoas. A taxa de analfabetismo na região passou de 16,9%, em 2011, para 17,4%, em 2012. O Nordeste concentra 54% do total de analfabetos do País. Ou seja, um em cada dois analfabetos é nordestino.

No Centro-Oeste, a taxa de analfabetismo passou de 6,3%, em 2011, para 6,7%, em 2012. Na Região Norte, ela foi de 10%, no ano passado. As menores taxas foram registradas nas regiões mais desenvolvidas. No Sul, a taxa de analfabetismo foi de 4,4% da população com 15 anos ou mais. No Sudeste, ela chegou a 4,8%. Santa Catarina é o Estado com a menor taxa de analfabetismo do País, com 3,1%.

Os números da Pnad também mostram como o analfabetismo incide sobre a população mais velha. Entre os que têm 60 anos ou mais de idade, 24,4% não sabem ler ou escrever. Na faixa dos 49 aos 59 anos, a proporção é de 9,8% do total. Já na faixa dos 30 aos 39 anos, 5,1% são analfabetos. As menores taxas - de 2,8% e 1,2% - estão nas faixas de 25 a 29 anos e de 15 a 19 anos, respectivamente.

Os técnicos do IBGE também constataram uma melhora na taxa de analfabetismo funcional, que passou de 20,4%, em 2011, para 18,3%, em 2012 - uma queda de 2,1 pontos porcentuais. Em termos absolutos, isso significa que o País tinha no ano passado 27,8 milhões de pessoas de 15 anos ou mais de idade com menos de 4 anos de escolaridade - um número muito alto de brasileiros incapazes de ler e compreender um simples manual de instrução de equipamentos. O levantamento do IBGE mostra ainda que 11,9% da população com 25 anos ou mais de idade não tinha qualquer instrução ou tem menos de um ano de estudo. Em 2011, a proporção era de 15,1%.

Os números da Pnad mostram, no entanto, que, em vez de aumentar o número de pessoas preparadas para enfrentar o ambiente competitivo de um mercado de trabalho cada vez mais sofisticado em termos tecnológicos, a educação brasileira está no caminho inverso. E, com isso, o Brasil permanece com um importante segmento da população à margem do processo econômico, por falta de instrução, o que agrava a desigualdade. Esse é o atestado do fracasso da política educacional adotada nos últimos anos. Ela agitou bandeiras politicamente vistosas, como a adoção do sistema de cotas raciais, a democratização do ensino superior e a criação de universidades. Mas revelou-se incapaz de alfabetizar e preparar milhões de brasileiros para o mercado de trabalho, negando-lhes com isso as condições para que possam se emancipar econômica e socialmente. 


Segue um trecho de outra matéria relacionada "Segundo os dados da Pnad 2012, os Estados de Tocantins, Paraíba, Pernambuco e Bahia tiveram os maiores aumentos nas taxas de analfabetismo. Alagoas é o Estado com o maior índice: um em cada cinco (21,8%) habitantes de 15 anos ou mais não sabe ler nem escrever. A taxa é a mesma registrada pela Pnad 2011" (o destaque é meu).


fontes: 

O Estado de S.Paulo, 01 de outubro de 2013
http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,cresce-o-analfabetismo-,1080654,0.htm


O Estado de São Paulo, 29 de setembro de 2013.
http://estadao.br.msn.com/ultimas-noticias/taxa-de-analfabetismo-para-de-cair-e-tem-pequeno-aumento-no-brasil